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De Mônica a Ketlen: Maternidade no Futebol Feminino Ganha Novo Patamar com Apoio e Regras da FIFA

A maternidade no futebol feminino passou por uma profunda transformação, saindo de um cenário de incertezas para um de suporte. Ketlen, artilheira do Santos, exemplifica essa evolução ao retornar aos gramados após o parto, amparada pelas novas regras da FIFA e o apoio de seu clube. A história de Mônica, pioneira em Atenas 2004, contrasta com o ambiente atual, marcado pela garantia de direitos e infraestrutura para atletas mães.

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De Mônica a Ketlen: Maternidade no Futebol Feminino Ganha Novo Patamar com Apoio e Regras da FIFA
Foto: Reprodução / Leia Esporte

SÃO PAULO, BRASIL/SP - A maior artilheira do Santos, Ketlen, simboliza um novo capítulo para a maternidade no futebol feminino ao retornar aos gramados após o nascimento de seu primeiro filho. Sua volta reforça o debate e a evolução dos direitos das atletas, marcando uma transição de um período de inseguranças para um de maior apoio institucional.

Por anos, o sonho da maternidade foi um dilema para jogadoras, que enfrentavam não apenas salários inadequados e falta de acompanhamento, mas também o risco de perder a carreira ou patrocínios. Essa realidade impedia muitas de conciliar a vida pessoal com o alto rendimento no esporte.

Mônica: A Pioneira na Luta pela Maternidade no Esporte

Um exemplo notável dessa luta é a zagueira Mônica, que fez história ao ser a primeira jogadora a subir ao pódio das Olimpíadas, em Atenas 2004, após a maternidade. Um ano antes do torneio, ela revelava sua rotina árdua: "Pela manhã, cuido do meu filho. De tarde, vou treinar. No início da noite, ainda faço faculdade para tentar conseguir um futuro melhor para a minha família." Ela ganhava quase R$ 800 mensais de uma prefeitura do interior de São Paulo.

Mônica, que manteve atividades em campo até o quinto mês de gravidez, descreveu o cenário precário da época: "A diária [de R$ 30, paga pela CBF], mando sempre para a minha mãe. O futuro do meu filho e da minha mãe depende do meu. Por isso, sou muito responsável. A nossa conquista no Pan quase não foi valorizada. Ainda dizem que estamos no país do futebol." Ela foi a única mãe a conquistar a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 2003.

O Novo Paradigma: O Retorno de Ketlen e o Suporte Institucional

Pouco mais de 20 anos depois, a FIFA implementou regras trabalhistas no Regulamento de Status e Transferência de Jogadores, garantindo licença maternidade mínima de 14 semanas remuneradas, proteção contratual e instalações adequadas para amamentação. Essas mudanças foram cruciais para que a maternidade deixasse de ser um tabu e se tornasse uma realidade viável para atletas como Ketlen. Ela, inclusive, destacou: "Eu tive muito medo de como seria tudo. Se eu continuaria jogando, se eu voltaria ao futebol, e agora eu me sinto muito bem em poder estar realizando isso aos poucos, com o apoio de todo o clube, que me dá todo esse suporte para eu estar bem e não ter lesões."

Escrito por Redação Leia Esporte