Dzeko Leva Bósnia-Herzegovina à Copa do Mundo em Triunfo Emocional
O veterano capitão Edin Dzeko, de 40 anos, conduziu a Bósnia-Herzegovina à sua segunda Copa do Mundo, em uma classificação dramática. O atacante, maior artilheiro da seleção, saiu de campo lesionado na prorrogação, mas celebrou a vitória nos pênaltis contra a Itália. Sua história é um símbolo de resiliência para o país, moldada pelos desafios da guerra.

SARAVEJO, BÓSNIA-HERZEGOVINA - Em uma noite de intensa emoção, o veterano atacante e capitão Edin Dzeko, de 40 anos, conduziu a Bósnia-Herzegovina à sua segunda Copa do Mundo. A classificação, conquistada nos pênaltis contra a Itália, em Zenica, teve Dzeko como protagonista e símbolo de resiliência, mesmo saindo lesionado na prorrogação com uma clavícula fraturada.
A trajetória de Dzeko é intrinsecamente ligada à história recente de seu país. Nascido em Sarajevo em 1986, na então Iugoslávia, ele vivenciou de perto os horrores da Guerra da Bósnia, incluindo o cerco à capital entre 1992 e 1995. Sua casa foi destruída, e a família precisou se refugiar, moldando sua personalidade e sua força mental desde cedo.
Infância Marcada pela Guerra
Uma experiência traumática marcou sua infância quando, por insistência de sua mãe, Belma, ele permaneceu em casa e evitou um bombardeio no campo improvisado onde costumava brincar, resultando em mortes e feridos. Essa vivência reforçou sua determinação: "Quando a guerra acabou, pelo menos me senti mais forte mentalmente. Depois disso, não havia muita coisa que pudesse me intimidar ou assustar", declarou Dzeko.
O "Diamante", como é carinhosamente chamado pelos torcedores bósnios, iniciou sua carreira no Zeljeznicar, em Sarajevo, antes de trilhar um caminho de sucesso na Europa. Passagens por Stuttgart, Manchester City – onde conquistou a primeira Premier League do clube em 2011/12 –, Roma e Internazionale consolidaram-no como um atacante de elite. Desde 2009, atua também como embaixador da Unicef, usando sua plataforma para destacar a realidade pós-guerra de sua nação.
Legado e o Sonho do Mata-Mata
Dzeko é o maior artilheiro da história da seleção bósnia, com 73 gols em 148 partidas, tendo participado de 53,6% de todos os jogos do país desde sua independência. Sua liderança foi crucial na campanha para a Copa de 2026, onde a Bósnia-Herzegovina integra o Grupo B, ao lado de Canadá, Catar e Suíça. Apesar da recente lesão e de não estar no auge físico, ele busca retornar a tempo de realizar o sonho de levar seu país ao mata-mata pela primeira vez.