Arrecadação do IOF Dispara 41,8% no 1º Bimestre de 2026 e Reforça Caixa da União
A arrecadação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) atingiu R$ 16,8 bilhões no primeiro bimestre de 2026, representando um aumento de 41,8% em relação ao mesmo período de 2025. Esse crescimento, impulsionado por alterações na legislação, reforça o caixa da União em um momento de desaceleração de outros tributos e contribui para o recorde de arrecadação federal no período.

BRASÍLIA, DF - A arrecadação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) alcançou R$ 16,8 bilhões no primeiro bimestre de 2026, representando um aumento expressivo de 41,8% em comparação com o mesmo período de 2025. Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 24 de março de 2026, pela Receita Federal, destacando o papel do tributo no reforço do caixa da União.
IOF em Destaque no Cenário Tributário Nacional
Em fevereiro, o último dado disponível, a arrecadação federal com o IOF somou R$ 8,7 bilhões, registrando um crescimento real de 35,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Essa alta é atribuída, segundo o Fisco, às alterações na legislação do tributo, especificamente por meio do Decreto 12.499/25. A mudança ampliou a base de incidência e as alíquotas em operações específicas, contribuindo para sustentar o nível recorde da arrecadação para meses de janeiro, na série iniciada em 1995.
O IOF incide sobre diversas transações financeiras, tanto de pessoas físicas quanto jurídicas, incluindo operações de crédito, câmbio, seguros e investimentos de curto prazo.
Histórico de Alterações e Embates Políticos
O aumento das alíquotas do IOF foi anunciado em 22 de maio de 2025 pelo então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, com a expectativa de gerar um incremento de R$ 20,5 bilhões nos cofres públicos somente em 2025 e R$ 41 bilhões em 2026. No entanto, a medida gerou reação negativa de agentes financeiros, levando o governo Lula a revogar, no dia seguinte, parte do decreto que tratava da alíquota para aplicação de investimentos de fundos nacionais, com um custo estimado de R$ 2 bilhões em arrecadação.
O Congresso Nacional e diversos setores criticaram o aumento. Em junho, a Câmara dos Deputados chegou a aprovar um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que revogava todo o decreto do IOF. Contudo, após o governo acionar o Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Alexandre de Moraes manteve o decreto do governo Lula, embora tenha vetado a cobrança do chamado "risco sacado". Diante do cenário, o então ministro Haddad publicou, em junho, outro decreto que reduzia alíquotas do IOF, apesar de a taxação ser superior à vigente até maio de 2025.
Em 2025, o IOF já havia rendido R$ 86,5 bilhões ao governo Lula, com uma alta real de 20,5% em comparação com 2024.
Arrecadação Federal Recorde no Início de 2026
A arrecadação federal totalizou R$ 222,1 bilhões em fevereiro de 2026, estabelecendo um novo recorde para o mês na série histórica iniciada em 1995. O valor representa um crescimento de 5,68% em relação ao mesmo período do ano passado, considerando os valores corrigidos pela inflação.
No acumulado do primeiro bimestre de 2026, a arrecadação federal somou R$ 550,1 bilhões, em valores corrigidos. Essa quantia também é um recorde histórico e representa uma elevação de 4,4% em relação ao mesmo intervalo de tempo de 2025.
Metas Fiscais para 2026
Para 2026, a meta fiscal estabelecida é de um superavit primário de R$ 34 bilhões, equivalente a 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB). O Orçamento de 2026 prevê um saldo positivo de R$ 34,5 bilhões, com uma banda de tolerância que permite um resultado 0,25 ponto percentual menor, ou seja, um intervalo que chega a 0% do PIB.