Austrália expulsa investidores chineses em manobra crucial por terras-raras
A Austrália ordenou que seis investidores ligados à China se desfaçam de suas participações em um projeto estratégico de terras-raras, citando "interesse nacional". A decisão, apoiada pelos EUA, visa conter o domínio de Pequim sobre minerais críticos essenciais para defesa, sendo a segunda intervenção do tipo.

CANBERRA, AUSTRÁLIA - Em uma medida que sublinha a crescente rivalidade geopolítica por recursos estratégicos, o governo australiano ordenou que seis investidores com ligações à China se desfaçam de suas participações na Northern Minerals, a principal desenvolvedora de terras-raras pesadas do país.
A decisão, anunciada pelo tesoureiro Jim Chalmers, invoca o "interesse nacional" como justificativa para a saída do grupo, que detém um total de 17,58% das ações da empresa. Os investidores têm um prazo de 14 dias para vender aproximadamente US$ 1,68 bilhão em ações. Entre os acionistas visados estão entidades corporativas registradas na China continental, Hong Kong e Ilhas Virgens Britânicas, além de dois cidadãos chineses.
Contexto Estratégico e Pressão Ocidental
A Austrália tem enfrentado pressão crescente de seus aliados ocidentais para fortalecer as cadeias de suprimentos de defesa críticas e reduzir a dependência do domínio de Pequim sobre as terras-raras pesadas. Estes minerais são essenciais para tecnologias militares avançadas, como sistemas de orientação de mísseis, tornando o controle de sua produção um ponto crucial na estratégia de segurança global.
Esta não é a primeira vez que Camberra intervém nos investimentos da Northern Minerals. Em junho de 2024, o governo já havia obrigado cinco investidores chineses a vender uma participação de 10,4%. A Real International Resources Limited, registrada nas Ilhas Virgens Britânicas, detém a maior fatia no novo grupo afetado, com 6,48%.
Reação da China e Apoio dos EUA
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, criticou veementemente a medida, pedindo que a Austrália "pare de usar conceitos de segurança nacional para prejudicar investimentos normais" e defenda um "ambiente de negócios justo e não discriminatório".
O projeto Browns Range, de propriedade da Northern Minerals na Austrália Ocidental, é considerado um ativo estratégico e conta com o forte apoio de Washington e Camberra. O objetivo é claro: desafiar o domínio da China, que controla cerca de 80% dos recursos globais de terras-raras pesadas.
Após a assinatura de um acordo bilateral sobre minerais críticos em outubro de 2025 entre o Presidente dos EUA, Donald Trump, e o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, o projeto garantiu um financiamento de até US$ 230 milhões (cerca de R$ 1,2 bilhão) do Banco de Exportação e Importação dos EUA. A produção está prevista para iniciar em 2028.
As terras-raras pesadas de Browns Range, incluindo disprósio e térbio, serão processadas em uma refinaria nacional operada pela Iluka, uma empresa australiana de refino, com um apoio governamental de US$ 1,1 bilhão. As ações da Northern Minerals registraram volatilidade após a ordem de desinvestimento, com uma queda de 13,8% em 20 de maio.