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Banco Central atrela futuro da Selic a conflitos no Oriente Médio e inflação

O Banco Central (BC) anunciou nesta terça-feira (24 de março de 2026) que o futuro da taxa básica de juros, a Selic, dependerá da evolução dos conflitos no Oriente Médio. A decisão foi revelada na ata do Copom, que também apontou a necessidade de maior restrição monetária. A Selic foi recentemente reduzida para 14,75% ao ano, mas o cenário de incerteza geopolítica elevou as projeções de inflação.

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Banco Central atrela futuro da Selic a conflitos no Oriente Médio e inflação
Foto: Reprodução / Leia Brasil

BRASÍLIA, DF - O Banco Central (BC) afirmou nesta terça-feira (24 de março de 2026) que o futuro da taxa básica de juros, a Selic, está condicionado à "profundidade" e "extensão" dos conflitos no Oriente Médio. A autoridade monetária aguardará novas informações para analisar os impactos na inflação do Brasil, conforme a ata do Comitê de Política Monetária (Copom).

Copom e a Redução da Selic

De acordo com a ata, todos os diretores do BC concluíram que o cenário atual exige uma restrição monetária "maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado". A frase completa ressalta que "em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado".

O Copom reduziu a Selic de 15% para 14,75% ao ano na quarta-feira (18 de março), em uma decisão unânime entre os sete integrantes do colegiado. Existem duas cadeiras vagas que ainda dependem de indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e aprovação do Senado. O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, é o principal cotado para a Diretoria de Política Econômica, tendo sido indicado pelo ex-ministro Fernando Haddad.

No comunicado oficial, o Banco Central esclareceu que a redução de 0,25 ponto percentual na Selic é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta no horizonte relevante.

Cenário de Inflação e Projeções

A meta de inflação é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo (variando entre 1,5% e 4,5%). A inflação, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), registrou 3,81% no acumulado de 12 meses até fevereiro.

O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (22 de março), indicou que os agentes financeiros revisaram para cima a projeção para o IPCA de 2026, de 4,10% na semana anterior para 4,17%.

Cautela em Meio à Incerteza Geopolítica

O BC destacou um "forte aumento da incerteza" e a necessidade de serenidade e cautela na condução da política monetária. A ata detalhou que os próximos passos na calibração da taxa básica de juros incorporarão informações que aumentem a clareza sobre a "profundidade e a extensão dos conflitos" no Oriente Médio.

A instituição observou que o ambiente externo se tornou mais incerto devido ao acirramento dos conflitos geopolíticos, que geram reflexos nas condições financeiras globais. "Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities", alertou o Banco Central.

A cotação do barril do petróleo disparou após o início desses conflitos, impactando a inflação no Brasil. Esse fator levou os agentes financeiros a aumentar as projeções para o IPCA de 2026. O Comitê reforçou que "perseverança, firmeza e serenidade na condução da política monetária favorecerão a continuidade desse movimento, importante para a convergência da inflação à meta com menor custo".

Por fim, o Banco Central assegurou que a decisão de reduzir a taxa básica de juros para 14,75% ao ano não compromete seu objetivo fundamental de garantir a estabilidade de preços.

Escrito por Redação Leia Brasil