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DeFi Technologies Desembarca no Brasil com Estratégia de Diversificação no Mercado de Criptoativos

A canadense DeFi Technologies chega ao Brasil com a meta de capturar 3% dos ativos sob gestão no mercado regulado de criptoativos em até cinco anos. A estratégia da empresa é inovar com uma oferta diversificada de produtos, incluindo Web3, DeFi e staking, diferenciando-se dos concorrentes locais que focam em Bitcoin e Ethereum. O CEO Andrew Forson destaca a maturidade e o potencial de crescimento do mercado brasileiro, que é o maior da América Latina e um dos cinco maiores globalmente.

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DeFi Technologies Desembarca no Brasil com Estratégia de Diversificação no Mercado de Criptoativos
Foto: Reprodução / Leia Brasil
SÃO PAULO, SP -

O mercado brasileiro de criptoativos acaba de ganhar um novo concorrente de peso. A canadense DeFi Technologies desembarcou no país com a meta de conquistar aproximadamente 3% dos ativos sob gestão do mercado regulado de ativos digitais nos próximos três a cinco anos.

Para alcançar esse objetivo em um ambiente já dominado por gestoras locais consolidadas, a companhia aposta em uma estratégia clara: oferecer o que a concorrência não tem. Enquanto o cardápio nacional ainda é concentrado em Bitcoin e Ethereum, a DeFi Technologies planeja inundar a B3 com uma prateleira diversificada, trazendo produtos ligados à Web3, protocolos DeFi, estratégias de staking e cestas temáticas.

“O mercado brasileiro está maduro o suficiente para comportar novos entrantes com ofertas diferenciadas”, afirma Andrew Forson, CEO da DeFi Technologies. “A Valour (subsidiária da companhia) já emite mais de 100 ETPs digitais listados em bolsas internacionais. Esse nível de diversificação permite ao investidor acessar partes do ecossistema cripto que simplesmente não estão disponíveis hoje no mercado local”.

Estratégia de Crescimento e Concorrência.

A estratégia de crescimento da DeFi Technologies tem duas frentes. A primeira é surfar a expansão natural do mercado brasileiro. Segundo projeções da própria companhia, o mercado local de criptoativos deve saltar de US$ 53,9 bilhões em 2024 para cerca de US$ 123,9 bilhões até 2033, um crescimento médio anual próximo a 10%. Essa expansão orgânica trará uma nova onda de investidores buscando acesso via B3.

A segunda frente é mais agressiva: disputar espaço com os grandes provedores atuais. “O segmento institucional ainda é relativamente concentrado. A Valour pode se diferenciar com uma oferta mais ampla de ETPs especializados. Isso nos permite competir por espaço com gestoras estabelecidas ao oferecer algo genuinamente diferente ao distribuidor e ao investidor final”, detalha Forson.

Atualmente, o investidor brasileiro já tem acesso inicial a essa tese por meio do BDR da própria DeFi Technologies (DEFT31) e de instrumentos listados na B3 que replicam ativos como Bitcoin (BTCV), Ethereum (ETHV), Solana (VSOL), XRP (XRPV) e Sui (VSUI). No entanto, há demanda por mais. “Observamos interesse crescente em ativos como Solana e XRP. Além disso, há demanda emergente por produtos ligados a estratégias de staking — que permitem capturar rendimento sobre ativos digitais dentro de uma estrutura regulada”, revela o executivo.

Por Que o Brasil é um Mercado Chave?.

A decisão de focar no Brasil não foi por acaso. Entre julho de 2024 e junho de 2025, o país movimentou US$ 318,8 bilhões em criptoativos, consolidando-se como o maior mercado da América Latina (respondendo por um terço da atividade na região) e figurando no top 5 global, segundo dados da Chainalysis citados pela companhia.

Para Forson, o Brasil vive uma “convergência rara”. Além do volume trilionário, o país possui uma infraestrutura financeira de ponta — evidenciada pela adoção massiva do Pix — e um mercado de capitais sofisticado na B3. “O apetite institucional por veículos regulados de exposição a ativos digitais está crescendo rapidamente, e as principais plataformas de investimento do país já estão expandindo sua oferta nesse segmento. O timing para novos entrantes com produtos regulados e diferenciados é agora”, pontua o CEO.

Embora o Brasil seja conhecido por sua volatilidade regulatória — um risco que Forson reconhece, mas avalia como uma “tendência clara de formalização” —, a DeFi Technologies não planeja usar atalhos. Questionado se a empresa faria aquisições de players locais para acelerar sua entrada, o CEO foi categórico: “não; neste momento, não estamos avaliando aquisições de players locais no Brasil. Nosso foco está inteiramente em construir presença orgânica, por meio da listagem de BDRs, da expansão do portfólio de ETPs da Valour disponíveis para o mercado local, e do desenvolvimento de parcerias com distribuidores, gestoras e plataformas de investimento”, afirma.

Com capital aberto nas Bolsas Cboe Canada, Frankfurt e Nasdaq, a companhia pretende usar sua presença global para convencer o mercado nacional. “Nosso objetivo é conectar o mercado financeiro tradicional ao universo dos ativos digitais. Acreditamos que o Brasil terá um papel central nessa ponte”, conclui Forson.

Escrito por Redação Leia Brasil