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Eleições 2026: '3% a 4% dos eleitores de Lula decidirão pleito', diz Maurício Moura; Senado foca em STF

Maurício Moura, doutor em Economia e Política e fundador do instituto Ideia, prevê que as eleições presidenciais de 2026 serão extremamente apertadas, com aproximadamente 5 milhões de eleitores, que votaram em Lula em 2022 e hoje avaliam o governo de forma regular ou não o aprovam, sendo decisivos. O especialista indica que, enquanto o escândalo do Banco Master não deve influenciar a corrida presidencial, ele transformará a eleição para o Senado, que será pautada pela discussão sobre o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

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Eleições 2026: '3% a 4% dos eleitores de Lula decidirão pleito', diz Maurício Moura; Senado foca em STF
Foto: Reprodução / Leia Brasil

WASHINGTON, EUA - As eleições presidenciais deste ano prometem ser decididas por uma margem extremamente apertada, conforme análise de Maurício Moura, doutor em Economia e Política e fundador do instituto de pesquisa Ideia.

O Papel Decisivo de 5 Milhões de Eleitores

Para Moura, aproximadamente 5 milhões de eleitores serão cruciais para determinar se o Presidente Lula merece ser reeleito ou se um de seus adversários assumirá a Presidência. "Cerca de 3%, 4% das pessoas que votaram no Lula em 2022 hoje avaliam o governo de maneira regular ou acham que o governo não merece continuar", explica em entrevista à BBC News Brasil. Ele enfatiza que "esses 3% ou 4% vão decidir a eleição".

O Impacto do Escândalo do Banco Master nas Eleições do Senado

O especialista avalia ser improvável que uma eventual delação de Daniel Vorcaro, controlador do liquidado Banco Master, exerça influência nas eleições presidenciais. No entanto, o cenário muda para a eleição do Senado. Moura prevê que esta será pautada pela discussão sobre o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). "Acho muito complicado a gente passar uma campanha de Senado discutindo impeachment de ministro do Supremo. E é isso que está dado hoje com esse escândalo", afirma.

Ele detalha que a eleição para o Senado, que costuma ser coadjuvante e com baixo engajamento do eleitorado – como demonstrado em 2022, quando 55% dos paulistas não sabiam o nome de um candidato –, ganha um tema central. Muitos brasileiros, embora não saibam o que um senador faz, já compreendem que um senador pode remover um ministro do Supremo. "Esta campanha do Senado vai ser, portanto, sobre impeachment de ministros do Supremo. Não dá para imaginar uma candidatura que não vai endereçar esse tema sobre ser a favor ou contra", conclui Moura.

Lava Jato e a Fadiga de Escândalos de Corrupção

Ao analisar o potencial do escândalo do Banco Master, Moura faz um paralelo com a Operação Lava Jato, que, iniciada em 2014, só impactou a opinião pública e as eleições de 2016 e 2018. Ele tem dificuldade em ver a situação atual mudando radicalmente o cenário eleitoral presidencial, especialmente porque, diferentemente de 2018, não há um clima "antipolítica" ou "antissistema". Pelo contrário, existe uma "fadiga de escândalos de corrupção".

Apesar disso, o analista pondera que, para o governo, "é ruim, porque, quando tem um escândalo de corrupção, em que todo mundo está envolvido, sempre respinga em quem está no poder." Ele complementa que o PT, partido do Presidente Lula, "ainda carrega um sentimento antipetista de parcimônia com a corrupção, obviamente é algo ruim para esse governo que está sendo mal avaliado."

A Estratégia de Defesa do Governo Lula

Questionado sobre a declaração do Presidente Lula de que o escândalo do Master seria o "ovo da serpente" de Bolsonaro e Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, Moura afirma que é uma tentativa de "se vacinar contra esse respingo". Ele aponta, contudo, a dificuldade da população em diferenciar o envolvimento do escândalo com ministros do Supremo e o governo Lula, dada a percepção de que "todos eles têm uma característica comum: eles são o poder".

O Eleitorado Indeciso: Quem são e o que buscam?

A eleição de reeleição coloca Lula como protagonista, e a questão central é se ele "merece continuar ou não". Moura destaca que um público significativo que votou em Lula em 2022 agora não aprova o governo. Trata-se de mulheres, empreendedoras de classe mais baixa, na faixa de renda de dois a cinco salários mínimos por mês, envolvidas em múltiplas atividades geradoras de renda. Essas eleitoras, predominantemente urbanas e "apolíticas", residem nas periferias de grandes cidades do Sudeste e Nordeste e foram fundamentais para a vitória de Lula em 2022, tendo parte delas votado em Bolsonaro em 2018. "Esse é o público que vai decidir a eleição", reitera.

Sobre a mudança do tom de Lula, que indicou que a campanha não será do "Lulinha Paz e Amor", Moura explica que essa comunicação é mais direcionada à militância, sinalizando uma eleição acirrada que exigirá muito esforço, e não ao grupo decisivo de eleitores.

Custo de Vida: O Fator Chave para a Desaprovação

O aumento da desaprovação do governo, segundo pesquisas, é atribuído principalmente ao custo de vida. Moura utiliza o conceito de "affordability" (capacidade de fechar as contas do mês) para descrever a sensação de desconforto da população. Apesar do baixo desemprego e aumento da massa salarial, o alto endividamento persiste como um problema significativo para os brasileiros.

Escrito por Redação Leia Brasil