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Incerteza sobre negociações EUA-Irã eleva preço do petróleo em meio a escalada de ataques no Oriente Médio

O preço do petróleo voltou a subir globalmente nesta terça-feira (24/3), impulsionado pela incerteza em torno de possíveis negociações entre os Estados Unidos e o Irã. Enquanto o Presidente Donald Trump sugeriu um acordo, o parlamento iraniano negou qualquer diálogo. A situação se agrava com a escalada de ataques militares na região, incluindo mísseis iranianos contra Israel e retaliações israelenses no Líbano e Irã.

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Incerteza sobre negociações EUA-Irã eleva preço do petróleo em meio a escalada de ataques no Oriente Médio
Foto: Reprodução / Leia Brasil
WASHINGTON, EUA -

O preço do petróleo voltou a registrar alta no mercado global nesta terça-feira, 24 de março de 2026, impulsionado por crescentes incertezas em torno de possíveis negociações para pôr fim ao conflito no Oriente Médio entre os Estados Unidos e o Irã. A disparada ocorre em meio a sinais contraditórios e uma escalada de ataques militares na região.

Presidente Trump sugere diálogo, Irã nega e mercados reagem.

Na segunda-feira, o Presidente dos EUA, Donald Trump, havia afirmado que o Irã demonstrava "muito querer fazer um acordo" e que ele se reuniria, "provavelmente por telefone", com representantes iranianos. Veículos de imprensa chegaram a noticiar que o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, e Jared Kushner, conselheiro presidencial, estariam em negociações com Mohammad-Bagher Ghalibaf, presidente do parlamento iraniano.

Contudo, uma conta do X atribuída a Mohammad-Bagher Ghalibaf publicou que nenhuma negociação ocorreu com os EUA, qualificando as notícias como "fake news" destinadas a "manipular" os mercados de petróleo. Apesar disso, um funcionário de alto escalão do Ministério das Relações Exteriores iraniano informou à rede americana CBS News que o Irã recebeu "pontos [para um acordo] dos EUA por meio de mediadores e eles estão sendo analisados", um passo anterior a quaisquer negociações confirmadas, segundo a CBS.

A reação do mercado não tardou. Na manhã desta terça-feira (24/3) na Ásia, o preço do petróleo Brent superou os US$ 100 por barril, após uma queda de mais de 10% na segunda-feira. Essa queda inicial ocorreu depois que o Presidente Trump anunciou o adiamento de sua ameaça de atacar usinas de energia iranianas, citando "conversas boas" com Teerã e sugerindo um possível fim para o conflito. O petróleo subiu 3,75% nesta terça-feira, atingindo US$ 103,69, refletindo a desconfiança dos investidores sobre a existência de negociações efetivas.

Casa Branca mantém discrição e conflito regional se intensifica.

Questionada pela BBC, a Casa Branca classificou a situação como "fluida" e não forneceu detalhes sobre as supostas negociações. Karoline Leavitt, porta-voz da Casa Branca, declarou em comunicado à BBC que "estas são discussões diplomáticas delicadas e os EUA não negociam através da imprensa", adicionando que "especulações sobre encontros não devem ser dadas como definitivas até que sejam formalmente anunciadas pela Casa Branca".

Em paralelo às incertezas diplomáticas, a madrugada de segunda para terça-feira registrou uma escalada militar. O Irã lançou diversas ondas de mísseis contra Israel, causando danos em edifícios em Tel Aviv e na região central do país. Em retaliação, Israel noticiou ataques a Beirute, Líbano, e emitiu um alerta para evacuação em preparação para novos ataques contra alvos ligados ao grupo xiita militante Hezbollah.

As forças israelenses também anunciaram uma "grande onda de ataques aéreos" contra a "infraestrutura do regime" em Teerã. O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, após conversa telefônica com o Presidente Trump na noite de segunda-feira, reiterou que Israel continuará atacando o Irã e o Líbano. "Nós estamos destruindo o programa de mísseis e o programa nuclear. Vamos garantir nossos interesses vitais em qualquer cenário", publicou Netanyahu no X. Há relatos de novos ataques aéreos no leste de Teerã nesta terça-feira. O Comando Central dos EUA (USCENTCOM) afirmou que continuará "atacando agressivamente alvos militares iranianos com munições de precisão".

Ultimato de Trump e recuo estratégico.

O Presidente Donald Trump havia dito na segunda-feira, antes de embarcar no Air Force One em Palm Beach, Flórida, que o Irã queria "muito fazer um acordo" e que os EUA também desejavam um, apontando uma "chance muito séria de um acordo", embora sem "garantir nada". Ele mencionou que os dois países discutem 15 pontos para encerrar o conflito, com a renúncia do Irã às armas nucleares como os pontos "número um, dois e três", sugerindo que o Irã poderia abandonar o programa nuclear em troca da paz.

Anteriormente, na noite de sábado (21/3), o Presidente americano havia emitido um ultimato, afirmando que, se o Estreito de Ormuz não fosse aberto "sem ameaças" em 48 horas, os EUA "aniquilariam" as usinas de energia iranianas. O Irã, por sua vez, prometera reagir a qualquer ataque americano com escalada de violência. Segundo Trump, após essa ameaça, autoridades iranianas teriam entrado em contato, buscando um acordo. Isso o levou a recuar, suspendendo por cinco dias qualquer ataque às usinas iranianas, uma decisão que agora parece mais complexa diante dos desenvolvimentos recentes.

Escrito por Redação Leia Brasil