Lula defende cooperação latino-africana para agregar valor a minerais e resistir a neoextrativismo
Em discurso no 1º Fórum Celac-África, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou a cooperação entre países latinos e africanos para valorizar recursos minerais e combater o neoextrativismo. Ele destacou a resistência brasileira à pressão dos EUA para a exploração de terras raras, exigindo processamento interno. Lula também abordou o investimento em tecnologia, inteligência artificial e soberania digital, mencionando o PBIA e o ECA Digital.

BOGOTÁ, COLÔMBIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (21.mar.2026) que países latinos e africanos, detentores de recursos minerais, devem cooperar para “agregar valor aos territórios e evitar investidas neoextrativistas”. A declaração foi feita durante discurso no 1º Fórum Celac-África, realizado na Colômbia.
Resistência Brasileira a Pressões Externas
O Brasil tem mantido tratativas com os Estados Unidos desde 2025 para a exploração de minerais raros no país. Contudo, o governo tem resistido à pressão norte-americana, com o presidente Lula exigindo que a commodity seja processada internamente e não apenas exportada.
Na última quarta-feira (18.mar), o encarregado de Negócios dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, informou que o governo do Presidente Donald Trump (Partido Republicano) aguarda uma “resposta formal” do Brasil sobre a possível exploração de terras raras. Esses minerais são cruciais como insumos estratégicos para a transição energética e digital, sendo utilizados em baterias, turbinas eólicas, veículos elétricos, chips e equipamentos militares. A disputa global por esses recursos tem se intensificado, especialmente entre Estados Unidos e China. O Brasil detém a segunda maior reserva mundial desses minérios.
Tecnologia e Soberania Digital em Foco
Em seu pronunciamento, o presidente também destacou a importância do desenvolvimento tecnológico, incluindo a inteligência artificial, para o avanço dos países participantes do fórum. “O investimento em infraestrutura digital será chave para superar carências crônicas de nossas regiões em matéria de alta tecnologia”, disse ele.
Lula mencionou o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (Pbia), que prevê duas linhas de financiamento para a cooperação com a África e a América Latina: US$ 20 milhões para projetos conjuntos e US$ 10 milhões para o uso da infraestrutura brasileira. O Pbia, lançado durante a 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, estabelece um investimento de R$ 23 bilhões ao longo de quatro anos em ações voltadas para a IA.
O petista também salientou que o modelo de cooperação internacional deve estar alinhado com a governança digital e os direitos fundamentais para a manutenção da soberania das nações. Ele defendeu que a regulação do “mundo digital não é um mecanismo de controle, mas um instrumento de inclusão e proteção de pessoas”.
No âmbito da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), o presidente declarou que o Brasil está atualizando sua legislação com foco na soberania digital, citando como exemplo o ECA Digital. Segundo Lula, essa lei, que entrou em vigor na terça-feira (17.mar), visa “manter nossas crianças protegidas no mundo digital”.