Michelle Bolsonaro se reúne com Moraes em meio a parecer favorável para prisão domiciliar do ex-presidente
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro se encontrou com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira, 23 de março de 2026. A reunião, solicitada por ela, acontece no mesmo dia em que a Procuradoria-Geral da República emitiu parecer favorável à concessão de prisão domiciliar para o ex-presidente Jair Bolsonaro, internado desde 13 de março. O ex-presidente cumpre pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado.

Situação de Saúde e Parecer da PGR.
O ex-presidente Jair Bolsonaro está internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) desde o dia 13 de março, em um hospital particular da capital federal. Ele trata uma pneumonia decorrente de broncoaspiração e, embora ainda hospitalizado, há possibilidade de alta.
No ano passado, Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, cumprindo pena na Papudinha, em Brasília. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, argumentou em seu parecer que a evolução clínica do ex-presidente “recomenda a flexibilização do regime” de prisão.
Segundo Gonet, a prisão domiciliar “encontra apoio no dever dos Poderes de preservação da integridade física e moral” de pessoas sob custódia do Estado. Ele sustentou que o quadro de saúde de Bolsonaro exige acompanhamento constante, que o ambiente familiar pode oferecer, mas que o sistema prisional não tem condições de garantir. A equipe médica do ex-presidente, conforme a manifestação, aponta que as comorbidades representam risco iminente à sua integridade, com possibilidade de novos episódios súbitos de mal-estar.
Rejeição Anterior e Próximos Passos.
Na semana passada, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, também esteve com Moraes para tratar do estado de saúde de seu pai. No entanto, no início de março, Moraes havia rejeitado um primeiro pedido de prisão domiciliar para Bolsonaro.
Naquela decisão, o ministro argumentou que a medida é excepcional e que o ex-presidente não preenchia os requisitos legais. Ele destacou que Bolsonaro mantinha uma intensa agenda de visitas na Papudinha, incluindo encontros com políticos, o que indicava um bom estado de saúde. Moraes também citou uma perícia da Polícia Federal que não identificava necessidade de transferência para cuidados hospitalares, apesar do laudo registrar um “quadro clínico de alta complexidade”.
O ex-presidente já recebeu mais de 140 atendimentos médicos na Papudinha, com consultas diárias de profissionais particulares e da própria unidade prisional. Agora, cabe ao ministro Alexandre de Moraes decidir se acolhe a manifestação da PGR e autoriza a transferência do regime prisional, conforme solicitado pela defesa.