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O Segredo Sombrio do Seu Carro Conectado: Espionagem de Dados e Risco Hacker Revelados

Seu carro moderno é um computador sobre rodas que coleta dados detalhados sobre sua vida. Descubra como essa vigilância pode levar a aumentos de 21% no seguro e até mesmo a ataques cibernéticos que assumem o controle do veículo, conforme alertam especialistas e provam casos recentes como o da General Motors.

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O Segredo Sombrio do Seu Carro Conectado: Espionagem de Dados e Risco Hacker Revelados
Foto: Reprodução / Leia Brasil

SÃO PAULO, SP - Seu carro moderno pode ser muito mais do que um meio de transporte: ele é, na verdade, um verdadeiro "computador sobre rodas" com a capacidade de monitorar seus hábitos, sua rotina e até mesmo sua vida íntima através da coleta intensiva de dados. E as implicações vão muito além de meros fins comerciais, abrindo portas para invasões cibernéticas que ameaçam a segurança física dos ocupantes.

A Ascensão dos Carros Conectados e a Coleta Ininterrupta de Dados

Dados da consultoria McKinsey revelam que, em 2021, metade dos veículos já possuía alguma forma de conexão à internet, um número que deve saltar para impressionantes 95% até o final desta década. Isso significa que milhões de motoristas já estão, inadvertidamente, fornecendo uma vasta gama de informações sobre seus comportamentos e hábitos ao volante.

Não é ficção: os carros atuais estão repletos de sensores nos bancos, painel e motor, além de câmeras internas e externas. A simples ação de conectar o celular ao sistema do veículo já permite a coleta de dados. Políticas de privacidade das montadoras preveem expressamente o registro de expressões faciais, informações sobre os ocupantes, uso do cinto de segurança e até o estilo de frenagem. "Se você se preocupa com privacidade, não participe dos programas de telemetria das seguradoras", alerta Michael DeLong, pesquisador da Consumer Federation of America.

Escândalo da Venda de Dados e Impacto no Seguro

A seriedade do mercado de dados automotivos foi exposta publicamente quando a Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC) impôs uma proibição de cinco anos à General Motors para a venda de dados. O escândalo veio à tona após um motorista descobrir um relatório detalhado de 130 páginas com todas as suas viagens, que havia sido vendido à LexisNexis e repassado a seguradoras. O resultado direto para o condutor foi um aumento chocante de 21% no valor de sua apólice de seguro. No Brasil, o compartilhamento dessas informações é regulado pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), mas a prática global levanta preocupações.

O Perigo Iminente de Ataques Cibernéticos a Veículos

A ameaça da coleta de dados transcende a esfera da privacidade e se estende à segurança física. Fabio Assoline, analista sênior da empresa de segurança Kaspersky, confirmou que a possibilidade de hackers assumirem o controle de veículos autônomos e conectados não é um enredo de ficção científica. Ele recordou um caso emblemático de 2015, onde cibercriminosos conseguiram invadir o sistema de um carro em movimento e manipular os comandos do acelerador e dos freios.

Apesar do cenário preocupante, Assoline ressalta que não há motivo para pânico generalizado, pois as empresas do setor estão atentas aos riscos e implementam sistemas de segurança robustos, especialmente em veículos autônomos. Contudo, ele enfatiza: “Um cibercriminoso que quisesse invadir [o carro] teria de estudar toda a infraestrutura do veículo, os meios de comunicação, e encontrar vulnerabilidades nela. Não seria ficção e, em várias pesquisas feitas no passado, foi demonstrado que esse cenário é possível”.

Escrito por Redação Leia Brasil