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Ormuz Fechado: Irã Desafia Cessar-Fogo e Alerta Israel Sobre Líbano.

A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) ameaçou Israel com uma "resposta que vai causar arrependimento" se os ataques ao Líbano não pararem imediatamente. Esta escalada ocorre no primeiro dia de um cessar-fogo entre EUA e Irã, com Israel e os EUA afirmando que o Líbano não está incluído no acordo. Paralelamente, o Irã declarou ter fechado o estratégico Estreito de Ormuz, uma condição-chave do cessar-fogo, embora a Casa Branca negue a paralisação.

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Ormuz Fechado: Irã Desafia Cessar-Fogo e Alerta Israel Sobre Líbano.
Foto: Reprodução / Leia Brasil

TEERÃ, IRÃ - A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) declarou nesta quarta-feira, 08 de abril de 2026, que dará uma "resposta que vai causar arrependimento" caso os ataques contra o Líbano não sejam interrompidos imediatamente. Esta ameaça surge no primeiro dia de um cessar-fogo acordado entre os EUA e o Irã, embora as Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmem ter realizado hoje os "maiores ataques" em todo o Líbano desde o início de sua operação terrestre contra o Hezbollah.

Segundo a agência de notícias estatal iraniana (IRNA), uma autoridade da IRGC publicou que "qualquer ataque ao orgulhoso Hezbollah é um ataque ao Irã". A liderança iraniana sinaliza que o "campo [militar] está se preparando para uma resposta pesada aos crimes selvagens do regime [Israel]". O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, confirmou que Israel desferiu "o maior golpe" contra o Hezbollah, com 100 alvos atingidos em 10 minutos, reiterando que o cessar-fogo temporário não incluiria o grupo.

O Cessar-Fogo em Xeque.

O acordo de cessar-fogo de duas semanas, mediado pelo Paquistão, começou nesta quarta-feira, mas sua abrangência está sob intensa disputa. Israel e os Estados Unidos afirmam que o Líbano não está incluído nos termos. Essa posição contradiz a declaração do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que indicou que o cessar-fogo também valeria para o Líbano. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Seyed Abbas Araghchi, afirmou que os EUA devem escolher entre um cessar-fogo ou a continuidade da guerra "via Israel", ressaltando que "a bola está no campo dos Estados Unidos".

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, enfatizou que o país insiste em "separar os cenários entre o Irã e o Líbano para mudar a realidade no Líbano e remover ameaças aos moradores do norte de Israel". A liderança israelense tem afirmado que não deixará o Líbano até que a ameaça representada pelo Hezbollah seja eliminada.

Estreito de Ormuz: Tensão no Comércio Global.

O estratégico Estreito de Ormuz, por onde passavam cerca de 20% do petróleo global, foi novamente palco de controvérsia. O Irã informou que petroleiros pararam de passar pela via nesta quarta-feira, uma condição fundamental para o acordo de cessar-fogo. Contudo, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, classificou a informação como "falsa", afirmando que houve um "aumento" no tráfego de navios e que o Presidente Donald Trump (47º) espera que o estreito seja reaberto "imediatamente".

Apesar da negativa americana, a agência de notícias Fars, filiada à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), e a IRNA relatam a interrupção da passagem de navios, fazendo referência aos contínuos ataques de Israel ao Líbano. A corretora de navios SSY confirmou que embarcações no Golfo Pérsico receberam uma mensagem direta da Estação Naval da Guarda Revolucionária Islâmica, alertando que "a travessia do Estreito de Ormuz permanece fechada e é necessária autorização da IRGC para navegar pelo estreito. Qualquer embarcação que tentar entrar no mar será alvejada e destruída."

Líbano em Crise Humanitária.

A situação no Líbano é crítica após os "maiores ataques" de Israel. A agência de notícias árabe Lebanon 24 informou que os hospitais estão superlotados de vítimas, e o Ministério da Saúde pediu aos cidadãos que evitem sair às ruas para liberar espaço para as ambulâncias. O canal de TV pró-Hezbollah Al Manar relatou múltiplas mortes e feridos nos subúrbios do sul de Beirute, no Vale do Bekaa e nas montanhas.

O Ministério da Saúde do Líbano informou à agência Reuters que 89 pessoas morreram e mais de 700 ficaram feridas nos ataques israelenses desta quarta. O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, fez um apelo urgente a "todos os amigos do Líbano" para que impeçam a ação militar israelense no país "por todos os meios disponíveis", denunciando o "total desrespeito" da IDF pelo direito internacional.

Diplomacia Internacional e a Posição de Trump.

Após os novos ataques de Israel, um grupo de países ocidentais, incluindo Reino Unido, França, Itália, Alemanha, Canadá e Espanha, emitiu uma declaração conjunta pedindo uma "paz rápida e duradoura" no Irã e que "todas as partes" cumpram o cessar-fogo de duas semanas, "inclusive no Líbano".

O acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã foi selado depois que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou que "uma civilização inteira morreria" se o Irã não reabrisse o Estreito de Ormuz. Trump afirmou na terça-feira (07/04) que concordou em "suspender o bombardeio e os ataques contra o Irã por um período de duas semanas" após "atingirmos e superarmos todos os objetivos militares". Nesta quarta-feira, o Presidente Trump também mencionou que os EUA estão trabalhando em estreita colaboração com o Irã, discutindo "alívio de tarifas e sanções".

Escrito por Redação Leia Brasil