Primeiro Debate Presidencial: Um 'Vencedor' Inesperado e Ausências Marcantes
O primeiro debate presidencial da TV Bandeirantes, esvaziado pela ausência de Lula e Flávio Bolsonaro, teve Renan Santos como destaque inesperado. Analistas apontam que ele soube aproveitar o espaço, enquanto Caiado cobrou rivais e Cury teve participação inicial incerta.

O primeiro debate presidencial promovido pela TV Bandeirantes no último domingo, 23 de agosto, foi marcado pela ausência de três dos seis candidatos convidados, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo), que decidiram não comparecer. Apenas Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) participaram do confronto.
Diante do cenário esvaziado, analistas ouvidos pela BBC News Brasil não identificaram um vencedor nítido capaz de gerar claros dividendos eleitorais. No entanto, houve consenso de que Renan Santos conseguiu aproveitar o espaço para aumentar seu reconhecimento perante o eleitorado.
O Destaque Inesperado: Renan Santos
Renan Santos, que aparece com 4% das intenções de voto e não possui tempo de TV ou rádio na propaganda eleitoral, foi apontado como o candidato que melhor aproveitou a oportunidade. Segundo o cientista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, e Mayra Goulart, professora de Ciência Política da UFRJ, Renan gerou material significativo para circulação pós-debate, explorando um perfil mais heterodoxo na política.
Com sua estratégia focada em debates e redes sociais para superar a barreira do conhecimento, o candidato do Missão chegou a apresentar duas fraldas, simbolicamente destinadas a Lula e Flávio, e os atacou em todos os blocos. Ele propôs declarar estado de defesa e Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em regiões dominadas pelo crime organizado, além da construção de superpresídios. Renan também criticou o projeto que prevê o fim da escala 6x1 e teceu comentários sobre a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e chamou Lula de “ladrão”, “bêbado” e “tranqueira”.
Caiado Bate Forte e Cury Quase Desiste
Ronaldo Caiado (PSD) foi o segundo a intervir, defendendo medidas para reduzir a taxa de juros a patamares de 6% e afirmando que “derrotar o Lula” seria a primeira etapa para alcançar tais objetivos, pautados em um “choque de credibilidade” e contenção de despesas. O ex-governador de Goiás também listou feitos em seu estado na área de segurança pública e educação, como o combate à violência doméstica, e prometeu intensificar essas ações na presidência.
Caiado questionou Flávio Bolsonaro sobre o financiamento do filme “Dark Horse” e a ausência de explicações sobre a movimentação de milhões de reais. Ele também atacou Lula, mencionando um “Dark Lobby” e o envolvimento de seu filho, Lulinha, investigado em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal por suposta atuação para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
Augusto Cury (Avante) teve uma participação inicial incerta. Chegou à emissora, mas inicialmente recusou-se a entrar no estúdio, citando a entrevista de Lula à Record, exibida no mesmo horário, como “a gota d’água”. Contudo, Cury acabou participando do encontro, que se tornou o mais esvaziado desde 1989.
O Impacto nas Eleições e o Próximo Confronto
Para o cientista político Rafael Cortez, o debate não deve alterar as intenções de voto de Lula e Flávio Bolsonaro, cujos eleitorados são mais consolidados. Entretanto, o confronto pode impactar a disputa pela terceira posição, com Renan Santos potencialmente atraindo votos de eleitores de Romeu Zema e Ronaldo Caiado, considerados menos seguros. O próximo debate presidencial está agendado para o dia 14 de setembro.