Relatório Executivo da COP30 em Belém Detalha 56 Decisões e Metas Climáticas Globais
A presidência da COP30 divulgou o relatório executivo da conferência realizada em Belém, novembro de 2025, consolidando 56 decisões por consenso. O documento detalha políticas para a transição energética, proteção de florestas e ampliação do financiamento climático, com a meta de mobilizar US$ 1,3 trilhão até 2035 e zerar o desmatamento até 2030. Iniciativas como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) e as Declarações de Belém e sobre Fome, Pobreza e Ação Climática foram pontos centrais, traçando o caminho para a COP31 na Turquia.

BELÉM, PA - A presidência da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorreu em Belém em novembro de 2025, divulgou o relatório executivo do evento. O documento consolida os resultados do encontro e traça os próximos passos para a implementação de políticas globais, reforçando o compromisso com a transição energética, a proteção florestal e o financiamento climático.
Decisões e Financiamento Climático
Ao todo, 56 decisões foram adotadas por consenso entre os países participantes, abordando temas como mitigação, adaptação, financiamento, tecnologia, e perdas e danos. Conforme comunicado conjunto do presidente da COP, André Corrêa do Lago, e da diretora-executiva Ana Toni, essas decisões "devem servir como catalisadoras de transformações econômicas, da construção de sociedades mais resilientes e da restauração dos ecossistemas".
O secretário-executivo da UNFCCC, Simon Stiell, destacou que a conferência estabeleceu novos acordos globais sobre uma transição justa, a triplicação do financiamento para adaptação e avanços significativos na Agenda de Ação, incluindo trilhões de dólares para redes limpas e uma nova iniciativa histórica para florestas.
O relatório aponta para a ampliação do financiamento climático, com a meta ambiciosa de mobilizar US$ 1,3 trilhão até 2035, dos quais pelo menos US$ 300 bilhões virão de recursos públicos. No mesmo período, foi acordada a meta de triplicar o financiamento para adaptação.
Fortalecimento da Adaptação e Contribuições Nacionais
Um eixo central da COP30 foi o fortalecimento das políticas de adaptação, com a adoção de indicadores globais para monitorar o progresso e a ampliação dos planos nacionais. Até o encerramento da conferência, 122 países já haviam submetido suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), marcando um novo ciclo de compromissos internacionais para a redução das emissões de gases de efeito estufa.
Mapas do Caminho e Iniciativas Estratégicas
O relatório apresenta três "grandes mapas do caminho", que servirão como plataformas políticas e técnicas para orientar a ação climática global nos próximos anos:
- O Mapa do Caminho pela Transição para o Afastamento dos Combustíveis Fósseis de forma justa, ordenada e equitativa, que inclui a meta de zerar o desmatamento até 2030.
- O Mapa do Caminho pela Reversão do Desmatamento e da Degradação Florestal até 2030, que reforça o papel vital das florestas na ação climática e no desenvolvimento sustentável.
- O Mapa do Caminho de Baku a Belém, focado na mobilização de US$ 1,3 trilhão em financiamento climático, especialmente para países em desenvolvimento, e alinhado às metas do Acordo de Paris.
A presidência da COP30 também lançou o Acelerador Global de Implementação, uma iniciativa para apoiar países na execução rápida e em larga escala de suas metas climáticas e planos de adaptação. Outra iniciativa de destaque foi a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), um mecanismo de financiamento misto que busca recursos previsíveis e de longo prazo para a conservação e uso sustentável de florestas tropicais em países em desenvolvimento. Ao final do evento, 52 países e a União Europeia endossaram sua participação no TFFF.
Declarações Importantes
A conferência foi palco da criação da Declaração de Belém sobre o Combate ao Racismo Ambiental, endossada por países da América Latina, África, Ásia e Oceania. Este acordo fomenta o diálogo global sobre igualdade racial, clima e meio ambiente, reconhecendo que a emergência climática é também uma crise de justiça racial, com padrões de discriminação históricos e exposição desproporcional de comunidades afrodescendentes, indígenas e locais à poluição e riscos climáticos.
A Declaração sobre Fome, Pobreza e Ação Climática, aderida por 44 países, aborda como os impactos climáticos intensificam a pobreza, a insegurança alimentar, o estresse hídrico e as crises de saúde. Os signatários defendem a expansão de sistemas de proteção social, investimentos na produção alimentar, apoio a pequenos agricultores e sistemas de alerta precoce, além de um apelo por financiamento inclusivo e medidas de transição justa.
Próximos Passos da Agenda Internacional
O relatório finaliza indicando os próximos passos da agenda internacional, com foco na continuidade das negociações e na preparação para a próxima conferência climática, a COP31, que será realizada em Antalya, na Turquia, em 2026. A presidência da COP30 pretende consolidar os mapas do caminho, ampliar o financiamento e manter o engajamento global para garantir que os compromissos de Belém se traduzam em resultados concretos nos próximos anos.