Tensão Cresce no Oriente Médio: Trump Ameaça Irã por Estreito de Ormuz e Teerã Alerta para Retaliação
O Presidente dos EUA, Donald Trump, emitiu um ultimato de 48 horas ao Irã para reabrir o Estreito de Ormuz, sob ameaça de aniquilar suas instalações nucleares. Em resposta, o Irã prometeu retaliar contra infraestruturas energéticas ligadas aos EUA no Oriente Médio. Enquanto a diplomacia é citada, o Irã também implementou um 'novo sistema' de taxas no Estreito. A região testemunhou múltiplos ataques, incluindo uma explosão perto de um cargueiro, interceptações de mísseis nos Emirados Árabes e Arábia Saudita, e ataques iranianos em Israel que feriram mais de 160 pessoas, alguns perto de instalações nucleares.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que seu país "aniquilará" as instalações nucleares do Irã caso o Estreito de Ormuz não seja reaberto para a navegação internacional dentro de um prazo de 48 horas. A advertência de Trump, feita neste sábado (21/3) através de sua plataforma Truth Social, estabelece o limite para a noite de segunda-feira (23/3).
Irã Responde com Ameaças de Retaliação
Em resposta à declaração americana, o Irã alertou que retaliará contra toda a infraestrutura energética ligada aos EUA no Oriente Médio se suas usinas forem atacadas. O país persa enfatizou que sua prioridade é a diplomacia, mas a "cessação completa da agressão" e a "confiança mútua" são cruciais.
Detalhes do Ultimato Presidencial Americano
A publicação de Trump, às 19h44 (horário de Washington) de sábado (21/3), afirmou: "Se o Irã não ABRIR COMPLETAMENTE, SEM AMEAÇAS, o Estreito de Ormuz, dentro de 48 HORAS a partir deste exato momento, os Estados Unidos da América atacarão e destruirão suas diversas USINAS DE ENERGIA, COMEÇANDO PELA MAIOR!". O prazo se encerra às 19h44 (20h44, horário de Brasília) de segunda-feira (23/3).
O Estreito de Ormuz é uma rota marítima de importância vital para o transporte global de petróleo, por onde passam cerca de 20% das remessas mundiais de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) em tempos de paz. O bloqueio e os ataques iranianos a navios na região, iniciados após ações dos EUA e Israel contra o Irã, têm provocado uma disparada nos preços do petróleo.
Teerã Reafirma Controle e Cobra Taxas em Ormuz
A mídia estatal iraniana noticiou a ameaça de retaliação do país contra a infraestrutura energética americana na região do Golfo. Contudo, o representante do Irã na Organização Marítima Internacional (OMI) da ONU, Ali Mousavi, afirmou que o Estreito de Ormuz permanece aberto a toda a navegação, exceto para embarcações "inimigas do Irã". Ele mencionou que a passagem é possível mediante coordenação de segurança com o Irã, e que os ataques israelenses e americanos são a "raiz da situação atual".
Neste domingo (22/3), o deputado iraniano Alaeddin Boroujrrdi declarou na televisão estatal que o Irã está cobrando uma taxa de "US$ 2 milhões" de alguns navios que atravessam o Estreito de Ormuz, implementando um "novo sistema" e enfatizando que "a guerra tem um preço", o que, segundo ele, demonstra a "autoridade e o direito" do país no local. A BBC não conseguiu verificar a alegação de forma independente.
Ataques e Tensões Recentes na Região
A escalada de tensões foi acompanhada por múltiplos relatos de ataques na região. No domingo, a United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO) reportou uma explosão próxima a um navio cargueiro, a 27 quilômetros ao norte de Sharjah, nos Emirados Árabes. O comandante da embarcação descreveu uma explosão "causada por um projétil desconhecido", sem feridos entre a tripulação.
Emirados Árabes e Arábia Saudita afirmam ter interceptado ataques na manhã de domingo, com dois mísseis caindo em uma área desabitada na Arábia Saudita. Os Emirados Árabes, que mantêm rigoroso controle sobre informações de ataques, indicaram que a maioria foi interceptada.
Em Israel, mais de 160 pessoas ficaram feridas, algumas com gravidade, após ataques iranianos no sábado. As autoridades israelenses informaram que 84 pessoas receberam tratamento em Arad e 78 em Dimona, cidades próximas a uma instalação nuclear, atingidas por mísseis na noite de sábado.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) declarou não ter conhecimento de danos à instalação de pesquisa nuclear perto de Dimona, nem de "aumento nos níveis de radiação fora da instalação" de Natanz, no Irã. A TV estatal iraniana havia justificado os ataques como resposta a uma agressão israelense à instalação nuclear de Natanz, também no sábado.