Alcolumbre articula com bolsonaristas para enfraquecer 'Caso Master' e projetar reeleição
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), aliou-se à oposição bolsonarista para enfraquecer o 'Caso Master' e impulsionar sua reeleição em 2027. A estratégia incluiu a rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF e a derrubada de vetos presidenciais ao PL da Dosimetria, que reduz penas de condenados pelo 8 de Janeiro.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem utilizado a oposição bolsonarista nos últimos dias para tentar enfraquecer o chamado 'Caso Master', que assombra seu grupo político, e para projetar sua reeleição ao comando da Casa em 2027. A estratégia se manifestou em duas votações importantes recentes: a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) no Senado e a derrubada, pelo Congresso, dos vetos do presidente Lula ao Projeto de Lei (PL) da Dosimetria, que reduz as penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro.
Rejeição a Messias mirou governo e ministro do STF.
A derrota de Jorge Messias na sabatina do Senado interessava tanto a Alcolumbre quanto à oposição, que buscavam enviar um recado ao governo Lula. No entanto, o presidente do Senado também visava atingir o ministro André Mendonça, relator do 'Caso Master' no STF. Mendonça foi um dos principais articuladores da indicação de Messias, chegando a contatar senadores da oposição para pedir votos, na tentativa de ter um aliado na Corte contra a ala majoritária do tribunal.
Devido a essa dinâmica, aliados desconfiam que a articulação para derrotar Messias pode ter envolvido figuras como o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e o ministro do STF Alexandre de Moraes. Ambos tiveram seus nomes citados no 'Caso Master', o que adiciona complexidade à motivação dos movimentos políticos.
Derrubada de vetos ao PL da Dosimetria mobilizou bolsonaristas.
Já a derrubada dos vetos presidenciais ao PL da Dosimetria, que prevê a redução de penas para condenados pelo 8 de janeiro, interessava principalmente aos parlamentares bolsonaristas. Ciente disso, Davi Alcolumbre segurou a votação da pauta por quatro meses, agendando a análise dos vetos para a quinta-feira, 30 de abril, um dia após a derrota de Jorge Messias. A movimentação reflete uma estratégia de apelo popular por parte do Congresso, que, a oito meses das eleições gerais, tem avançado com propostas de grande repercussão como tática de campanha.