Amigo de Flávio Bolsonaro Assina Contrato Seis Meses Após Aporte de R$ 1 Milhão em Filme de Bolsonaro
O publicitário Marcello Lopes, amigo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), repassou R$ 1 milhão para a produtora do filme 'Dark Horse' em dezembro de 2025, mas só formalizou o contrato em junho de 2026. O ministro do STF, Flávio Dino, citou o repasse em decisão que autorizou operação da Polícia Federal contra a produtora e o deputado Mário Frias (PL-SP).

O publicitário Marcello Lopes, amigo pessoal de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), repassou R$ 1 milhão à produtora Go Up Entertainment Ltda., responsável pelo filme "Dark Horse", em dezembro de 2025, mas só formalizou o contrato com a empresa seis meses depois, em 4 de junho de 2026. A formalização ocorreu quando o “caso Master já havia explodido”.
Segundo o contrato enviado pelo próprio publicitário, o “aporte” foi realizado em dezembro de 2025, no valor de US$ 185.185,19 (equivalente a cerca de R$ 1 milhão), como “investidor” da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Motivação e Justificativa para o Atraso na Formalização
Marcello Lopes, conhecido como Marcellão, explicou que decidiu investir no filme a pedido do deputado federal Mário Frias (PL-SP), produtor executivo da obra. O investimento foi motivado pela paralisação dos repasses de patrocínio do banqueiro Daniel Vorcaro em outubro de 2025.
“Quando parou de ter o dinheiro lá em outubro (de 2025) que Vorcaro investia, a turma toda estava gravando em São Paulo, tinham que fazer monte de pagamento e abriram cotas para investimento. Eu achei um bom negócio e decidi investir”, declarou o publicitário.
Questionado sobre o intervalo de seis meses entre o aporte e a assinatura do contrato, Lopes argumentou que a demora foi causada por “ajustes de cláusulas entre as partes”.
Citação em Decisão do STF e Alerta do Coaf
O repasse de Marcello Lopes foi citado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, na decisão que autorizou a operação da Polícia Federal (PF) realizada na quinta-feira, 10 de setembro de 2026, contra Karina Gama, dona da Go Up Entertainment, e o deputado Mário Frias.
No despacho, o ministro Flávio Dino mencionou relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Esses relatórios identificaram a transferência de R$ 1 milhão feita por Lopes para a Go Up. Os documentos também apontam que o aporte foi feito entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, período em que o Coaf identificou “movimentações consideradas atípicas” nas contas da produtora.
A comunicação de n.º 24 do Coaf detalha que, entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, a Go Up movimentou R$ 19.033.071,00 (R$ 8.955.158,00 a crédito e R$ 10.077.913,00 a débito). Entre os principais remetentes de recursos para a empresa figuram a Moneycorp Banco de Câmbio S.A. (R$ 3.920.976,40), a GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural Eireli (R$ 2.614.000,00), Marcello de Oliveira Lopes (R$ 1.000.000,00), a NTT Brasil Ltda. (R$ 750.000,00) e o deputado federal Mário Frias (R$ 645.400,00).