Anvisa Autoriza Retomada da Ypê, Mas Mantém Suspensão de Lotes Específicos e Corrige Erro
A Anvisa autorizou nesta sexta-feira (29.mai.2026) a retomada das atividades da Química Amparo, fabricante da Ypê, após reinspeção. No entanto, lotes com numeração final '1' fabricados antes de 7 de maio seguem suspensos. A agência corrigiu um comunicado inicial equivocado e a situação da empresa gerou polarização nas redes sociais, com apoiadores de Bolsonaro defendendo a marca após acusações de perseguição política.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou nesta sexta-feira (29.mai.2026) a retomada das atividades da Química Amparo, fabricante dos produtos Ypê. A decisão, contudo, mantém a suspensão da comercialização, distribuição e uso dos itens dos lotes com numeração final "1" fabricados antes da interdição realizada em 7 de maio. A Anvisa confirmou a liberação após uma reinspeção.
A fiscalização conjunta, realizada pela Anvisa com o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo, o Grupo de Vigilância Sanitária de Campinas e a Vigilância Sanitária de Amparo, verificou a implementação das principais medidas corretivas pela empresa. A Química Amparo apresentou um plano para atender aos 76 requisitos sanitários identificados em inspeção anterior, realizada em abril, na fábrica em Amparo, interior de São Paulo. Na ocasião, o relatório apontou marcas de corrosão em equipamentos utilizados na fabricação de detergente e lava-roupas.
Em nota ao Poder360, a Anvisa esclareceu ter publicado inicialmente um comunicado com erro. A versão equivocada informava que produtos com numeração final "1" fabricados depois de 1º de abril poderiam ser utilizados, mas a agência corrigiu a informação, reforçando que os itens desses lotes produzidos antes da interdição permanecem suspensos. "Nossa primeira nota saiu errada. Os produtos fabricados antes da interdição seguem interditados", declarou a Anvisa. A informação incorreta ainda é visível em parte no buscador do Google. O Poder360 tentou contato com a Ypê para comentar a manutenção da suspensão do lote, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem.
A Polarização Política em Torno da Marca.
A situação da Ypê também ganhou contornos políticos intensos nas redes sociais. Opositores do Partido dos Trabalhadores (PT) promoveram uma campanha de defesa da marca, acusando o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de utilizar a agência reguladora para "perseguir" os controladores da companhia. Essa alegação se baseia em doações feitas por membros da família Beira, responsável pela Ypê, à campanha de Bolsonaro em 2022. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que Jorge Eduardo Beira, vice-presidente de operações da empresa, doou R$ 500 mil, somando um total de R$ 1 milhão em contribuições de três integrantes de sua família à campanha de 2022.
O movimento atual representa uma inversão de cenário. Durante a campanha de 2022, usuários contrários a Bolsonaro mobilizaram campanhas de boicote à marca. Agora, vídeos publicados nas redes sociais mostram consumidores defendendo a empresa e incentivando a compra de seus produtos, parte deles produzida com inteligência artificial (IA).
Um episódio notório ocorreu em 10 de maio, quando um homem publicou um vídeo em que ingere detergente Ypê dentro de um carro, fazendo um gesto obsceno direcionado a petistas. O vídeo foi amplamente divulgado com a descrição: "Bolsonarista publica vídeo bebendo detergente Ypê".