Augusto Cury não decola: Milhões de seguidores não garantem votos na corrida presidencial de 2026
Augusto Cury, candidato à Presidência em 2026, enfrenta baixa intenção de votos (1% a 2%) apesar de possuir 8,3 milhões de seguidores no Instagram. O cenário contrasta com a experiência de Pablo Marçal em 2024, que conseguiu transformar sua popularidade online em identidade política e votos, diferentemente de Cury.

BRASÍLIA, DF - A ascensão de Pablo Marçal nas eleições municipais de 2024, que gerou a impressão de que a popularidade nas redes sociais automaticamente se converteria em sucesso eleitoral, parece não se replicar com o atual candidato ao Palácio do Planalto, Augusto Cury (Avante). O escritor, que almeja a Presidência em 2026, ostenta um número expressivo de seguidores no Instagram, mas não consegue romper a barreira dos 2% nas pesquisas de intenção de voto.
O Dilema dos Seguidores e os Votos
Augusto Cury conta com 8,3 milhões de seguidores no Instagram, um número considerável, embora inferior aos 13,1 milhões de Pablo Marçal em 2024. Seus números nas redes sociais superam os de nomes como Renan Santos (2,3 milhões), Romeu Zema (3,5 milhões) e Ronaldo Caiado (2,2 milhões). Contudo, essa base de fãs online não se traduz em apoio eleitoral, com Cury variando entre 1% e 2% do eleitorado nas pesquisas.
Para efeito de comparação, o texto-fonte menciona que Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) possuem mais de 10 milhões de seguidores cada.
Discursos Semelhantes, Resultados Distintos
Tanto Cury quanto Marçal compartilham uma linha discursiva que pode ser descrita como uma "teologia da prosperidade" secularizada, atraindo especialmente millennials que buscam superação profissional e pessoal fora das tradições religiosas. Ambos, à sua maneira, propõem a ideia de que o indivíduo tem o poder de superar suas limitações e moldar seu próprio destino.
A Transformação da Audiência em Identidade Política
A diferença fundamental que explica o sucesso eleitoral de Marçal em 2024, em contraste com a dificuldade de Cury em 2026, reside na capacidade de Marçal de transformar sua audiência digital em uma identidade política clara. Naquela eleição municipal, que se desenhava polarizada entre Guilherme Boulos (esquerda) e Ricardo Nunes (Centrão com viés bolsonarista), Pablo Marçal se posicionou como a voz dos descontentes, dos "revoltados contra tudo isso que está aí", solidificando uma base de apoio que ia além da mera popularidade online.