Bolívia em Crise: Protestos Intensos Pedem Renúncia de Presidente Rodrigo Paz
A Bolívia enfrenta uma profunda crise com intensos protestos contra o presidente Rodrigo Paz, que completa hoje um mês. Manifestantes exigem sua renúncia e novas eleições, enquanto bloqueios em estradas causam escassez de itens essenciais. O ex-presidente Evo Morales sugeriu eleições em 90 dias, e os EUA monitoram a situação.

A Bolívia está mergulhada em uma das suas piores crises políticas e econômicas, marcada por intensos protestos que se iniciaram no começo de maio e se intensificaram neste domingo (24.mai.2026). Manifestantes em todo o país pedem a renúncia do presidente Rodrigo Paz (Partido Democrata Cristão, centro-direita) e têm bloqueado estradas, impedindo o transporte de itens essenciais para diversas cidades.
Ex-presidente Evo Morales Pede Novas Eleições
O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales (EVO Povo, esquerda), aproveitou seu programa semanal na rádio Kawsachun Coca neste domingo para exigir a convocação de novas eleições em até 90 dias. Ele ofereceu dois caminhos para Paz: "uma decisão suicida: militarizar, ou a pacificação, transição, eleição em 90 dias". Morales enfatizou que a pacificação passa pela renúncia de Paz e por um presidente de transição. Os bloqueios nas estradas e confrontos entre manifestantes e forças policiais têm sido uma constante desde o início do mês.
Causas da Crise e Impactos na População
A crise econômica boliviana é multifacetada, atribuída principalmente à escassez de dólares, à eliminação dos subsídios à gasolina – que resultou em inflação descontrolada – e à restrição de empréstimos para pequenos produtores rurais. Rodrigo Paz, que assumiu a presidência em novembro de 2025, enfrenta pressão de sindicatos, mineiros, grupos rurais e comunidades indígenas. Como consequência, algumas regiões enfrentam escassez de alimentos, medicamentos e combustíveis. Hospitais relatam falta de cilindros de oxigênio e bancos fecharam por precaução.
Bloqueios e Confrontos Generalizados
Até a manhã deste domingo, 59 pontos de bloqueios foram registrados em estradas, predominantemente na região andina, a oeste do território. Barreiras com fios, pilhas de terra, valas e máquinas separadoras de cimento foram utilizadas para bloquear todas as faixas asfaltadas. Setores como a Central Operária Boliviana (COB) e agricultores mantêm bloqueios que impedem o deslocamento de produtos essenciais para La Paz e El Alto. Em contraste, moradores que apoiam o governo realizaram contraprotestos, exigindo respeito à administração. A situação agravou-se na capital administrativa na 6ª feira (22.mai) com a invasão de prédios públicos e a instalação de dezenas de bloqueios. Entre as principais reivindicações, além da renúncia de Paz, estão a reversão das medidas de austeridade e soluções para o aumento do custo de vida.
Acusações Políticas e Repercussão Internacional
O presidente Rodrigo Paz acusa Evo Morales de orquestrar os protestos, enquanto o ex-presidente nega qualquer envolvimento direto nas manifestações. No cenário internacional, o governo dos Estados Unidos expressou apoio a Paz. A Casa Branca confirmou que está monitorando a situação, e o secretário de Estado, Marco Rubio, alertou sobre uma possível intervenção caso "criminosos e traficantes de drogas derrubem líderes democraticamente eleitos".