Burkina Faso: Traoré prorroga mandato militar até 2029 e bane partidos políticos
O capitão Ibrahim Traoré, presidente de Burkina Faso, estendeu o mandato da junta militar que lidera até 2029, descumprindo o acordo de devolver o poder a civis em 2024. Ele também baniu todos os partidos políticos, justificando a medida como essencial para 'reconstruir o Estado' e criticando a democracia como um sistema inadequado para o continente africano.

OUAGADOUGOU, BURKINA FASO - O capitão Ibrahim Traoré, líder de Burkina Faso desde o golpe de 2022, anunciou a extensão do mandato da junta militar sob seu comando até 2029. A decisão descumpre o acordo anterior de devolver o governo a civis em julho de 2024.
Em maio do ano anterior, a junta militar havia formalizado a prorrogação de seu mandato por mais cinco anos. Em janeiro, todos os partidos políticos foram banidos, sob a justificativa de "reconstruir o Estado".
Rejeição à Democracia e Modelo Político Próprio
Em entrevista à televisão estatal, o presidente Traoré, de 38 anos, defendeu que a população de Burkina Faso deve "esquecer" a democracia, sistema que ele considera responsável por inúmeras mortes no continente africano. O líder militar propôs a adoção de um modelo político nacional, centrado nos princípios de "soberania e patriotismo", em contraste com os moldes ocidentais.
"As pessoas precisam esquecer a questão da democracia. A democracia não é para nós", declarou Traoré. Ele expressou a intenção de substituir a política partidária por uma nova estrutura, cujos detalhes não foram especificados. "Temos nossa própria abordagem. Nem estamos tentando copiar mais ninguém. Estamos aqui para mudar completamente a forma como as coisas são feitas", afirmou.
Críticas aos Partidos e Exemplos de Fracasso Ocidental
Segundo Ibrahim Traoré, as legendas partidárias são estruturas "mentirosas" e incompatíveis com o projeto revolucionário que está sendo implementado no país. A junta militar indicou que a realização de votações para partidos políticos dependerá da garantia de segurança em todo o território nacional.
O líder de Burkina Faso exemplificou os fracassos das intervenções ocidentais citando a instabilidade que se seguiu à queda de Muammar Gaddafi na Líbia, em 2011. "Olhem para a Líbia, é um exemplo bem aqui ao nosso lado! Em todo lugar em que tentam estabelecer democracia no mundo, isso é feito com derramamento de sangue. Democracia é escravidão", concluiu Traoré.