Caso Master: 'Salve-se quem puder' em Brasília, com Moraes mirando Mendonça
As recentes revelações do Caso Master deflagraram uma operação de "salve-se quem puder" entre grupos de poder em Brasília. O grupo formado pelo ministro Alexandre de Moraes, o procurador-Geral da República Paulo Gonet e o diretor-geral da PF Andrei Rodrigues, citados nas mensagens de Daniel Vorcaro, atua para minimizar desgastes, contando com o apoio de Gilmar Mendes. O presidente Lula, porém, não ofereceu o apoio esperado, defendendo investigações sem blindagem. Em resposta, Moraes pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que investigue o ministro André Mendonça por permitir a divulgação das mensagens, além de acusações contra o AGU Jorge Messias.

As recentes revelações do rumoroso Caso Master deflagraram, nos últimos dias, uma operação de "salve-se quem puder" envolvendo diferentes grupos de poder em Brasília. À medida que novas mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro vêm a público e ampliam o alcance da crise, esses grupos intensificam os movimentos para tentar preservar seus integrantes.
Grupo de Moraes reage à crise do Caso Master
De um lado, está o grupo formado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, pelo procurador-Geral da República Paulo Gonet e pelo diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. Os três foram citados nas mensagens do dono do Banco Master que vieram à tona e, diante do desgaste, passaram a atuar para tentar sair da crise o menos arranhados possível.
Nesse movimento, contam com um aliado de peso: Gilmar Mendes, atual decano do STF e uma das figuras mais experientes de Brasília em gestão de crises políticas e institucionais. Embora não tenha sido diretamente mencionado nas mensagens, Gilmar tem uma relação próxima com Gonet, de quem já foi sócio e cuja indicação para a PGR foi apadrinhada. O ministro Gilmar Mendes também olha para o próprio futuro do Supremo, não tendo interesse em uma crise que enfraqueça seus aliados.
Na tentativa de se blindar, o grupo de Moraes cobrou apoio do presidente Lula, lembrando que o Supremo foi um dos principais pilares de sustentação da governabilidade do terceiro mandato do petista. Lula, porém, não reagiu como o grupo de Moraes esperava. Sem citar nomes, o petista publicou um vídeo defendendo que "é fundamental que se investigue todo mundo sem blindagem, doa a quem doer". A menos de um mês para o primeiro turno, a reação de Lula foi baseada no cálculo de que ele não poderia ser omisso, sob pena de o episódio trazer prejuízos para sua campanha à reeleição.
Moraes mira André Mendonça e Jorge Messias
Em outra frente, o grupo ligado a Moraes decidiu partir para cima de André Mendonça. Foi o ministro quem autorizou o fim do sigilo que permitiu que as mensagens de Vorcaro viessem a público. Na noite da quinta-feira (3/9), Moraes pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, para investigar Mendonça pela prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. Moraes pede ainda que o colega seja investigado por favorecimento a determinados grupos políticos. Todos os crimes, segundo ele, teriam sido praticados no exercício da relatoria do Caso Master e da Farra do INSS.
A reação do grupo de Moraes também atingiu Jorge Messias. O advogado-geral da União passou a ser alvo de críticas da cúpula da PF, que o acusa de omissão por não ter reagido às decisões de Mendonça contra a corporação.