Contrato Milionário para COP30: Aluguel de Cruzeiros com Prazo de 4 Dias Causa Polêmica
A Embratur, acionada pela Secretaria Extraordinária para a COP30, contratou a Qualitours para o aluguel de cruzeiros de hospedagem, num valor de R$ 350,2 milhões. O processo, que vinha sendo planejado há meses, teve um chamamento público com prazo de apenas quatro dias para a entrega de propostas, levantando questionamentos sobre a competitividade e o repasse de riscos ao Estado, conforme ação judicial de um vereador.

O aluguel de navios de cruzeiro pelo governo federal para hospedar delegações na COP30, intermediado pela Embratur, resultou em um contrato de R$ 350,2 milhões sob intensos questionamentos. A controvérsia central reside no chamamento público realizado pela Agência Brasileira de Promoção do Turismo, que estabeleceu um prazo exíguo de apenas quatro dias, entre 10 e 14 de maio de 2025, para a apresentação de propostas por parte das empresas interessadas.
Prazo Relâmpago Comprometeu Competitividade
Apesar de um planejamento que, segundo documentos da Secretaria Extraordinária para a COP30 (Secop), vinha sendo elaborado há pelo menos doze meses, o curto período para a submissão de propostas para um contrato que inicialmente valia R$ 263 milhões permitiu que apenas uma empresa, a Qualitours, respondesse ao edital. A Qualitours, parte da holding de turismo Befly, foi a única selecionada para intermediar a contratação dos transatlânticos.
A holding Befly é comandada pelo empresário Marcelo Cohen, que é apontado como sócio de Daniel Vorcaro no luxuoso hotel Botanique, em Campos do Jordão (SP). Enquanto Vorcaro associa o hotel à Prime You, Cohen já admitiu publicamente a propriedade do Botanique.
Ação Judicial Aponta Falhas no Processo
O processo de contratação não passou despercebido pela fiscalização. O vereador Guilherme Kilter (Novo), de Curitiba (PR), protocolou uma ação na Justiça questionando a legalidade e a transparência do chamamento público. Em sua argumentação, Kilter destacou que o prazo de apenas quatro dias para apresentação de propostas comprometeu seriamente a competitividade do processo, especialmente diante do longo período de planejamento prévio por parte do governo federal.
Outro ponto crítico levantado pelo vereador foi a inclusão de uma cláusula contratual que obriga o poder público a efetuar pagamentos por cabines não comercializadas. Segundo Kilter, essa disposição transfere integralmente o risco do negócio privado para o Estado, garantindo lucros à Qualitours independentemente da ocupação total das embarcações.
Os navios transatlânticos que serviram de hospedagem para a COP30 chegaram ao Porto de Outeiro, em Belém, em uma terça-feira, 4 de novembro.