Judiciário

Coordenador de campanha de Lula cobra explicações de Moraes sobre relação com banqueiro

Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha de Lula em São Paulo, afirmou que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tem a "obrigação" de esclarecer sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro. Carvalho ressaltou que o reconhecimento do papel de Moraes na defesa da democracia não lhe confere um "salvo-conduto" e que a crise atual é interna ao Poder Judiciário, cabendo a este resolvê-la.

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Coordenador de campanha de Lula cobra explicações de Moraes sobre relação com banqueiro
Foto: Reprodução / Leia Política
BRASÍLIA, DF -

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha de Lula em São Paulo, declarou que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, possui a “obrigação” de explicar sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro. A declaração foi feita à coluna, em meio à crise que abala a credibilidade da Suprema Corte.

Governo Lula e STF: distanciamento se impõe

Amigo pessoal do presidente Lula, Marco Aurélio argumentou que o governo não tem qualquer ligação com Vorcaro e o Banco Master, nem com a crise que envolve o STF. “A nossa relação é muito clara com esse banco e também com a Suprema Corte. Mas, se eventualmente houver necessidade de qualquer tipo de esclarecimento… E, no caso concreto há, por parte de alguns ministros, em especial por parte do ministro Alexandre de Moraes, ele que esclareça”, pontuou Marco Aurélio.

O coordenador do grupo Prerrogativas reiterou que, apesar do reconhecimento pelo papel de Moraes na defesa da democracia, isso não lhe concede um “salvo-conduto”. Segundo ele, o ministro não está acima da necessidade de se explicar. “Ele tem o nosso reconhecimento pelo papel, evidentemente, que cumpriu. Mas isso não dá a ele um salvo-conduto. Isso não dá a ele o direito de não se explicar. Isso não pode oferecer a ele qualquer tipo de guarda-chuva para qualquer tipo de blindagem”, afirmou, comparando a obrigação de Moraes à de qualquer cidadão, incluindo o presidente da República.

Obrigação constitucional e a crise do Judiciário persiste

Carvalho ponderou que o ministro Moraes, ao defender o Supremo, a democracia e as instituições de ataques golpistas, fez “nada além da obrigação” constitucional. “Em nenhum momento, deixamos de reconhecer o valor dele na defesa da democracia. Mas o nosso sentimento, entretanto, é de que ele não fez nada além da obrigação dele. Ele tinha obrigação constitucional de fazer defesa do Supremo, da democracia e das instituições. Isso, evidentemente, gera um reconhecimento, mas não gera para ele nenhum direito de não se explicar”, declarou.

Na avaliação do advogado, a crise atual é intrínseca ao Poder Judiciário. Ele defende que cabe exclusivamente ao Judiciário estabelecer mecanismos institucionais para superá-la. “O presidente Lula, evidentemente, tem que dar todo o apoio e tem que agir da forma como vem agindo, com serenidade, com equilíbrio, investindo no relacionamento harmônico entre os Poderes, apoiando o ministro presidente da Corte, Edson Fachin, na perspectiva de recuperação da credibilidade da qual o Supremo tanto depende. Mas é uma crise do Poder Judiciário, compete a ele resolvê-la, portanto”, concluiu.

Questionado sobre a atuação de ministros como Flávio Dino e Gilmar Mendes em apoio a Moraes no julgamento da terça-feira (15/9), Marco Aurélio dissociou as posições individuais dos magistrados do governo. Ele enfatizou que cada ministro responde por suas próprias escolhas e credenciais técnicas. “Se houvesse essa associação, o presidente não teria sido preso. Ele indicou vários ministros que votaram a favor de uma prisão injusta e arbitrária. Então, nós não temos responsabilidade direta ou indireta pelos votos dos ministros que o presidente nomeou”, finalizou.

Escrito por Redação Leia Política