Copa do Mundo de 2026 nos EUA: Baixa demanda e preços altos ameaçam o evento, alerta Newsweek
A Copa do Mundo de 2026, sediada nos Estados Unidos, enfrenta um cenário desafiador com baixa procura por hotéis e voos, além de ingressos encalhados, segundo a Newsweek. A um mês do início, o evento corre o risco de não atingir as expectativas econômicas, com o Presidente Donald Trump inclusive questionando os preços.

Reservas de voos e hotéis abaixo do esperado
A reportagem da Newsweek, citando dados da Cirium, revelou uma queda de 14% nas reservas de voos europeus para os EUA em julho, em comparação com o ano anterior. Para as cidades-sede, as reservas para junho caíram 5% na Europa e 3,6% na Ásia. Vijay Dandapani, presidente da Associação de Hotéis da Cidade de Nova York, informou à Newsweek que, embora os hotéis previssem 1,2 milhão de visitantes internacionais adicionais, as reservas em Nova York aumentaram “no máximo 10% em relação ao ano anterior”. A expectativa agora é que os hotéis da cidade percam mais de US$ 100 milhões em receita de hospedagem.
Ingressos mais baratos e a declaração de Donald Trump
Mesmo com a proximidade do torneio, muitos ingressos permanecem disponíveis, e os preços foram reduzidos. Entradas para a partida entre Arábia Saudita e Cabo Verde, que custavam US$ 600 em dezembro de 2025, agora podem ser encontradas por cerca de US$ 160. Uma análise do The Guardian, de dezembro, indicou que os ingressos mais baratos deste ano ainda são cerca de seis vezes mais caros do que a média registrada entre 2006 e 2022. Questionado pelo New York Post na semana passada sobre o preço de US$ 1.000 para o jogo de estreia da seleção da casa, o Presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano), afirmou: “Para ser sincero, eu também não pagaria”. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, defendeu os custos, assegurando que os revendedores respeitarão os preços de mercado.
Previsões econômicas e motivos de afastamento do público
Um estudo conjunto da Organização Mundial do Comércio (OMC) com a Fifa, divulgado em março do ano passado, previa um impacto econômico bruto de US$ 80,1 bilhões, com US$ 30,5 bilhões destinados aos EUA. A Associação de Viagens dos EUA estimou que os visitantes da Copa deveriam gastar mais de US$ 5.000 por pessoa, valor 1,7 vez maior que o de viagens internacionais típicas. Apesar dessas expectativas, os dados atuais de viagens, ingressos e ocupação hoteleira sugerem que o torneio ficará aquém economicamente do previsto. Entre os motivos para o afastamento do público, a reportagem da Newsweek citou o temor das políticas de imigração e os preços considerados exorbitantes dos ingressos, mesmo para partidas menos procuradas. Infantino, contudo, descreveu a competição como uma oportunidade crucial para o futebol e, especialmente, para os Estados Unidos, que sediarão 78 das 104 partidas, incluindo a final em 19 de julho.