Judiciário

CPMI do INSS: Relator pede investigação de Toffoli, Viviane Barci e Enrique Lewandowski por tráfico de influência

O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), relator da CPMI do INSS, recomendou a investigação de suspeitas de tráfico de influência envolvendo o ministro do STF Dias Toffoli, Viviane Barci de Moraes (esposa do ministro Alexandre de Moraes) e Enrique de Abreu Lewandowski (filho do ex-ministro Ricardo Lewandowski). O parecer final, lido em 27 de março de 2026, cita a ligação dos nomes com o Banco Master em um contexto de fraudes em empréstimos consignados, mas não os inclui nos 216 pedidos de indiciamento. As recomendações foram enviadas à PF, MPF e, para Toffoli e Viviane, ao Senado.

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CPMI do INSS: Relator pede investigação de Toffoli, Viviane Barci e Enrique Lewandowski por tráfico de influência
Foto: Reprodução / Leia Política
BRASÍLIA, DF -

O relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), apresentou nesta 6ª feira (27.mar.2026) seu parecer final, recomendando investigações aprofundadas sobre figuras de destaque por suspeita de tráfico de influência. Os nomes incluem o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e Enrique de Abreu Lewandowski, filho do ex-ministro Ricardo Lewandowski. O relatório detalha suspeitas relacionadas a contratos e operações do Banco Master, descrito como um dos maiores fraudadores de empréstimo consignado para segurados do INSS.

Suspeitas envolvendo o Ministro Toffoli

Para o ministro Dias Toffoli, Gaspar solicitou que as investigações verifiquem se elementos levantados pela Comissão e pela imprensa revelam indícios de “práticas ilícitas no contexto das investigações sobre irregularidades em operações de crédito consignado no INSS”. Toffoli foi relator de um inquérito sobre fraudes financeiras ligadas ao Banco Master até 12 de fevereiro de 2026, quando deixou a relatoria. O ministro declarou nunca ter recebido valores de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ou de seu cunhado. No entanto, Toffoli é sócio do resort Tayayá, no Paraná, que foi comprado por um fundo de investimentos vinculado ao Master e atualmente está sob investigação da Polícia Federal.

Contrato de Viviane Barci de Moraes sob escrutínio

O relatório também solicita um exame detalhado sobre um contrato de R$ 129 milhões firmado por Viviane Barci de Moraes com o Banco Master. A recomendação é investigar se essa transação configura tráfico de influência, considerando a posição do ministro Alexandre de Moraes no STF e a sujeição do banco à jurisdição do tribunal. O escritório de Viviane, por sua vez, divulgou uma nota com detalhes dos serviços prestados ao Banco Master, afirmando que não atuou perante o STF em causas do banco.

Atuação de Enrique Lewandowski no STJ

O filho do ex-ministro Ricardo Lewandowski, Enrique de Abreu Lewandowski, também é alvo de pedido de investigação por suspeita de tráfico de influência. O advogado atuou no Superior Tribunal de Justiça (STJ) em dezembro de 2025 em favor da Capital Consig Sociedade de Crédito Direto S.A., empresa investigada por fraudes em empréstimos consignados em Mato Grosso e que teria fornecido créditos integrados às carteiras do Banco Master. Seu pai, Ricardo Lewandowski, declarou ter prestado consultoria jurídica ao Banco Master após sua aposentadoria do Supremo em 2023.

Recomendações e ausência de indiciamentos para os citados

É fundamental destacar que nem os ministros nem seus familiares estão entre os 216 pedidos de indiciamento formalizados no relatório, que inclui nomes como Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Gaspar recomendou que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal examinem os casos. Adicionalmente, para Toffoli e Viviane Barci, a recomendação foi enviada ao Senado Federal para avaliação de possíveis crimes de responsabilidade. O documento da CPMI tem mais de 4.300 páginas e detalha fraudes em descontos associativos e empréstimos consignados. A comissão tenta aprovar o texto até sábado (28.mar.2026), após decisão do STF que impediu a extensão do seu prazo.

Escrito por Redação Leia Política