Economia

Crise Atinge Montadoras Alemãs: VDA Pede Flexibilização Trabalhista e Cortes para Conter Perdas

A poderosa associação da indústria automobilística alemã (VDA) defendeu, em 8 de julho de 2026, reformas urgentes para o setor, incluindo 'ajustes de pessoal', incentivos fiscais e flexibilização de normas trabalhistas. A medida ocorre em meio a planos de cortes de produção e empregos por parte de gigantes como Volkswagen e Mercedes-Benz, que enfrentam queda de competitividade e lucros.

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Crise Atinge Montadoras Alemãs: VDA Pede Flexibilização Trabalhista e Cortes para Conter Perdas
Foto: Reprodução / Leia Política

BERLIM, ALEMANHA - A poderosa associação da indústria automobilística alemã (VDA) defendeu, em 8 de julho de 2026, a necessidade de reformas urgentes para o setor. A entidade citou a perda de competitividade e propôs “ajustes de pessoal”, incentivos fiscais e flexibilização de normas trabalhistas para fazer frente à concorrência internacional. O comunicado da VDA surge em um momento de grave crise, com a Volkswagen e a Mercedes-Benz cogitando novos cortes na produção e a BMW esperando queda nos lucros.

Demandas da VDA para o Setor Automotivo

Hildegard Müller, presidente da VDA, enfatizou em um comunicado que “tudo o que gera crescimento deve ter prioridade –seja no que diz respeito às contribuições sociais, impostos, preços de energia, carga burocrática ou também flexibilizações no mercado de trabalho”. Ela destacou as “condições ruins” para a indústria na Europa e na Alemanha, afirmando que as empresas terão que realizar novas reformas e ajustes, incluindo disciplina de custos, “ajustes necessários de pessoal e reformas profundas dos modelos de negócios”.

Müller apontou que a “crise afeta toda a indústria europeia”, com consequências “visíveis e perceptíveis diariamente –e tornam-se cada vez mais dramáticas”. Para reverter o quadro, defendeu “decisões corajosas” que iriam além dos cortes e reformas, sugerindo também a abertura dos polos industriais a fabricantes estrangeiros: “Precisamos abrir os polos industriais aqui também para fabricantes estrangeiros. Com cada fábrica que conseguirmos manter, preservamos empregos”. Embora não mencionada diretamente pela presidente, a maior ameaça à indústria europeia vem da China, maior fabricante de carros elétricos do mundo, com a qual a concorrência se torna cada vez mais difícil.

Volkswagen e Mercedes-Benz Enfrentam Pressões

A situação é crítica para as gigantes do setor. A Volkswagen (VW) estuda a eliminação de até 100 mil postos de trabalho em suas fábricas pelo mundo, o dobro do que havia sido planejado. Quatro fábricas do grupo na Alemanha – Hannover, Emden, Zwickau e Neckarsulm – estariam ameaçadas de fechamento até o fim de 2034. A produção de veículos já foi encerrada em Dresden, e para Osnabrück, onde a produção de conversíveis será interrompida em 2027, o grupo busca soluções, apontando empresas do setor de defesa como possíveis parceiras.

A VW, que emprega mais de 650 mil pessoas em suas diversas marcas (incluindo Audi, Bentley, Skoda, Seat e Cupra), já confirmou a eliminação de 50 mil postos de trabalho na Alemanha até 2030, após registrar uma queda de 44% no lucro líquido em 2025. O presidente da empresa, Oliver Blume, justificou os cortes diante da piora das condições operacionais, mencionando tarifas, guerras, tensões geopolíticas e o acirramento da concorrência. Ele negou, contudo, planos de repassar a operação de fábricas para empresas chinesas, mas admitiu a ideia de produzir modelos chineses da marca na Europa. O conselho de supervisão da VW se reuniu em 9 de julho para discutir novos cortes, sob protestos de sindicatos.

Já a Mercedes-Benz enfrentou, em 3 de julho, protestos de dezenas de milhares de funcionários em todo o país contra planos de aumentar a jornada de trabalho de 35 para 40 horas semanais, sem alteração salarial, como medida para enxugar gastos de produção.

Impacto Econômico e Cenário Europeu

A indústria automobilística é um pilar fundamental da economia alemã, gerando cerca de 3,2 milhões de empregos diretos e indiretos. Seu desempenho reflete a saúde da indústria europeia como um todo, setor que responde por 8% do PIB europeu, segundo a consultoria McKinsey. Um relatório da Boston Consulting, publicado em junho e citado pelo jornal The Guardian, revela que a capacidade produtiva da indústria automobilística europeia excede a demanda em mais de 5 milhões de veículos por ano, o equivalente a 35 fábricas em todo o continente.

Escrito por Redação Leia Política