Custo Médio de Transferências Internacionais para Clubes Brasileiros Dispara 37,7% e Gera Déficit Recorde
Clubes brasileiros da Série A registraram um aumento de 37,7% no custo médio de aquisição de jogadores estrangeiros em 2026, alcançando R$ 28,85 milhões. Enquanto Flamengo e Cruzeiro lideram os gastos, o valor médio recebido por exportações caiu, resultando em um déficit de R$ 355,82 milhões na balança comercial. Os dados foram divulgados em relatório da CBF e da recém-instalada Anresf.

BRASÍLIA, DF - O custo médio fixo da aquisição de jogadores estrangeiros por clubes da 1ª divisão brasileira registrou um aumento significativo de 37,7% em 2026, saltando de R$ 20,95 milhões em 2025 para R$ 28,85 milhões. Essa elevação no valor unitário das transações indica uma postura de mercado mais seletiva por parte das equipes de elite, que concentraram investimentos em contratações de maior valor agregado, mesmo com uma redução no volume total de compras.
Detalhes do Relatório e Impacto Financeiro
A avaliação foi divulgada nesta 6ª feira (15.mai.2026) pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf). Os dados são referentes à 1ª janela de transferências de 2025 (3.jan a 28.fev) e de 2026 (5.jan a 3.mar), fazendo parte do 1º Relatório da Janela de Transferências 2026. Os dados mostram que a Série A concentra 99,6% de todo o capital movimentado em taxas fixas no mercado internacional, somando R$ 1,21 bilhão. Flamengo e Cruzeiro destacaram-se como os maiores compradores do período, registrando um aumento nos gastos em relação ao ano anterior.
Na contramão da valorização das compras, o valor médio recebido pelos clubes da Série A na exportação de atletas caiu para R$ 18,60 milhões, uma redução em comparação aos R$ 20,77 milhões registrados em 2025. Na prática, os clubes brasileiros receberam, em média, R$ 10 milhões a menos por cada venda realizada. O resultado é um déficit de R$ 355,82 milhões na balança comercial da elite.
Nova Fase de Gestão com a Anresf
A publicação do relatório marca uma nova fase na gestão do esporte no país, afirma a Anresf. A agência foi instalada em fevereiro de 2026 como um órgão independente vinculado à CBF para fiscalizar o cumprimento das regras de Fair Play financeiro. O objetivo é monitorar a saúde financeira dos clubes, prevenir a insolvência e exigir transparência no registro de valores fixos, variáveis e prazos de pagamento de cada transferência.
A divulgação dos dados financeiros detalhados ocorre após um período de adiamentos. Pelo menos nove times pediram à agência a prorrogação dos prazos para a entrega dos relatórios, alegando dificuldade em reunir informações históricas e em se adaptar ao novo sistema regulatório. Inicialmente prevista para março, a data final foi fixada em 11 de maio para que as equipes pudessem reportar dívidas, créditos e pagamentos a atletas.