Daniel Vorcaro adota estratégia de devolução de valores para destravar delação
O banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, busca facilitar sua delação premiada com a Polícia Federal, PGR e STF. Sua estratégia inclui a promessa de devolver uma quantia significativa de dinheiro aos cofres públicos, um ponto crucial para o ministro André Mendonça, relator do caso.

O banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master e investigado por uma suposta fraude bancária bilionária, traçou uma estratégia para tentar distensionar as negociações de sua delação premiada. O plano visa facilitar a aceitação da proposta junto a integrantes da Polícia Federal (PF), da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com aliados do dono do Banco Master, a tática consiste em sinalizar de forma inequívoca aos investigadores a intenção de Vorcaro em devolver uma boa quantia de dinheiro aos cofres públicos. Fontes próximas ao banqueiro ressaltam que ele tem priorizado "pagar tudo", buscando demonstrar um compromisso real com a reparação dos danos.
Impacto na homologação do acordo
A avaliação da defesa de Daniel Vorcaro é que esta abordagem contribuirá para distensionar as conversas relacionadas ao núcleo penal da delação. A expectativa é que essa estratégia facilite a aceitação da delação pela PF e pela PGR, culminando na sua homologação pelo ministro André Mendonça, que é o relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal.
Condição essencial do relator
Conforme noticiado em março, o ministro André Mendonça considera imprescindível que Daniel Vorcaro não apenas aponte o paradeiro dos recursos que teriam sido desviados no esquema do Banco Master, mas que também providencie a devolução desses valores à União. O ministro do STF aprofundou seus conhecimentos sobre este tema em seu doutorado, cujo trabalho foi premiado em 2019 pela Universidade de Salamanca, na Espanha. Essa expertise prática foi desenvolvida durante sua atuação como diretor do Departamento de Patrimônio Público e Probidade Administrativa (DPP) da PGR, onde realizou diagnósticos relevantes.