Depoente-chave em caso de vice de Flávio Bolsonaro filiou-se ao PL após oitava
Luis Antonio Lopes, que depôs sobre uma suposta 'armação' contra Alfredo Gaspar (vice de Flávio Bolsonaro), filiou-se ao PL em 30 de abril de 2026, apenas uma semana após seu depoimento à Polícia Legislativa. O caso, envolvendo acusações de estupro contra Gaspar e a menção ao deputado Lindbergh Farias, foi remetido ao STF.

O Depoimento e a Filiação Partidária.
A certidão da Justiça Eleitoral revela que a filiação de Luis Antonio Lopes ao PL aconteceu em Nilópolis, município da Baixada Fluminense. Flávio Bolsonaro havia anunciado Alfredo Gaspar como seu vice em 5 de agosto, formando uma chapa “puro-sangue” pelo partido.No depoimento colhido pela Polícia Legislativa, após ser acionada pelo próprio Gaspar, Luis Antonio Lopes alegou que a acusação de crime de estupro de vulnerável contra o deputado teria sido uma "armação". O parlamentar relatou que Lopes o contatou para denunciar a suposta trama. O material foi então enviado pela Câmara ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 5 de maio de 2026, devido à citação de pessoas ligadas ao deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que possui foro privilegiado.
A Acusação e os Envolvidos.
A denúncia original contra Alfredo Gaspar foi apresentada em 27 de março de 2026 por Lindbergh Farias e pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS). Eles acusavam Gaspar de estupro de adolescente e de ser pai de uma filha resultante da suposta violência sexual.
Luis Antonio Lopes, à época com 62 anos e proprietário de um quiosque no shopping Jardim Guadalupe, na zona norte do Rio de Janeiro, relatou aos policiais legislativos que a “armação” envolveria o recrutamento de uma jovem chamada Marcela Maria Mendes, que prestava serviços em seu quiosque. Segundo o depoente, o plano era que Marcela concedesse entrevistas usando o nome fictício de “Jailma”, fingindo ser vítima do suposto estupro de Alfredo Gaspar e afirmando ser de Maceió/AL.
O boletim de ocorrência descreve que Marcela se reuniu com uma jornalista e um indivíduo chamado Lucas, que se apresentava como assessor legislativo e, posteriormente, como ligado ao contexto político de Lindbergh Farias. Lopes tomou conhecimento da preparação de Marcela através de seu colaborador Rodrigo Freitas, vizinho da jovem. Na oitiva, Luis Antonio afirmou que Lindbergh Farias "parecia ter plena ciência do contexto fraudulento tratado nas reuniões" e integraria o conjunto de pessoas que discutiam os desdobramentos da narrativa. O indivíduo Lucas foi apontado por Marcela e percebido pelo declarante como o mentor inicial da ideia da simulação.