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Desafio de Lula a Flávio Bolsonaro sobre sigilos esbarra em limitações práticas

Aposta da campanha petista em debate é vista como inócua, já que presidente não usa celular pessoal e preserva sob reserva a lista de visitantes do Palácio da Alvorada.

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Desafio de Lula a Flávio Bolsonaro sobre sigilos esbarra em limitações práticas
Foto: Reprodução / Leia Política

BRASÍLIA, DF - A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva considerou como o principal lance do debate da Band a proposta direcionada ao senador Flávio Bolsonaro de abrir reciprocamente os sigilos bancário e telefônico. A investida, contudo, possui alcance prático praticamente nulo para o petista, conhecido nos bastidores políticos por sua aversão direta ao uso de telefones celulares.

Lula não possui smartphone pessoal nem aplicativo de mensagens, tendo passado a tirar selfies em eventos eleitorais apenas após terminar o primeiro turno numericamente atrás do adversário do PL. Para conversas com autoridades e aliados, o mandatário utiliza aparelhos de assessores, a exemplo do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana, o Marcola, que não foi incluído no desafio lançado ao parlamentar.

Limitações da quebra bancária e foco em visitas oficiais

A devassa em contas pessoais também é avaliada como inócua no meio político, dado que movimentações suspeitas de agentes públicos são rotineiramente monitoradas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e valores ilícitos não costumam transitar por canais bancários formais. O antecedente de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, cujo sigilo foi quebrado na CPMI do INSS sem revelar grandes transações financeiras, ilustra o mecanismo, embora ele tenha se tornado alvo de inquéritos no STF por ligações com a lobista Roberta Luchsinger.

Interlocutores ressaltam que uma transparência efetiva não dependeria do sigilo de um celular inexistente, mas sim da desclassificação de dados mantidos fechados pelo governo, como a relação de entradas e visitantes do Palácio da Alvorada. A divulgação desses registros oficiais permitiria verificar se nomes como a própria Luchsinger e personalidades como Daniel Vorcaro mantinham trânsito assíduo pelas dependências da residência presidencial.

Escrito por Redação Leia Política