Brasília

Edinho Silva: PT Errou em CPI do Banco Master e Modelo Político 'Ruiu'

O presidente do PT, Edinho Silva, admitiu que a legenda falhou ao não assinar o pedido original da CPI do Banco Master, mas afirmou que o partido subscreveu um requerimento próprio. Em entrevista, Silva criticou duramente o modelo político brasileiro, as ações do Congresso Nacional em relação ao STF e às penas do 8 de Janeiro, defendeu a soberania nacional e a redução da jornada de trabalho, e confirmou Luiz Inácio Lula da Silva como candidato do PT em 2026.

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Edinho Silva: PT Errou em CPI do Banco Master e Modelo Político 'Ruiu'
Foto: Reprodução / Leia Política
BRASÍLIA, DF -

O presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, reconheceu hoje (1º.mai.2026) que a legenda cometeu um "erro" estratégico ao não subscrever o requerimento para a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master. A declaração foi feita em entrevista à jornalista Vera Rosa, do jornal O Estado de S. Paulo, e publicada nesta sexta-feira.

Silva afirmou que a base do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deveria ter assumido o protagonismo das investigações. Segundo o dirigente, o PT deveria ter assinado a CPI, mas há uma concepção no meio político de que comissões de inquérito paralisam o Congresso e o governo. No entanto, ele ponderou que a gravidade das denúncias exigia uma atitude diferente. Após a entrevista, Edinho informou que a bancada petista assinou um requerimento próprio de CPI, protocolado pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE), optando por não subscrever o pedido formulado pela oposição.

Ao comentar a fraude financeira, Edinho buscou afastar o desgaste do atual governo, afirmando que o Banco Master foi criado e teve operações fraudulentas autorizadas pelo Banco Central durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sob o comando de Campos Neto. Ele ressaltou que foi o presidente Lula quem determinou à Polícia Federal que estruturasse as investigações. Questionado sobre menções a políticos do PT da Bahia no relatório da PF, como o senador Jaques Wagner e o ministro Rui Costa (Casa Civil), Edinho negou qualquer envolvimento ilícito, defendendo que a verdadeira questão é o motivo pelo qual o banco foi autorizado a operar sem lastro financeiro no governo anterior.

Desafios no Congresso e Críticas ao Modelo Político

A avaliação sobre a CPI ocorre na esteira de uma semana de reveses para o Palácio do Planalto no Congresso Nacional. Edinho criticou duramente a rejeição, pelo Senado, do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, classificando o bloqueio ao atual advogado-geral da União como um "grave erro" que gera instabilidade institucional e reflete a intenção do Legislativo de enfraquecer o Judiciário.

Outro ponto de crítica foi a derrubada do veto presidencial ao projeto que reduz as penas dos condenados pelos atos extremistas de 8 de Janeiro. Para Edinho, ao aprovar a medida, o Congresso "vira as costas para a sociedade" e ignora a gravidade da tentativa de ruptura democrática.

Diante dos atritos, o presidente do PT declarou que o modelo político brasileiro "ruiu" e está "totalmente destruído". Ele citou como sintoma desse esgotamento o volume de emendas parlamentares impositivas, que devem somar R$ 60 bilhões no Orçamento de 2026, tornando-se uma "moeda de troca" que usurpa o poder do Executivo e enfraquece o sistema político.

Visão sobre Desenvolvimento e Mercado de Trabalho

Na entrevista, Edinho também criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por declarações dadas nos Estados Unidos sobre as reservas de terras-raras. O petista classificou como um "absurdo" a fala do congressista de oferecer os minerais brasileiros como solução para a indústria tecnológica e de defesa norte-americana. Segundo Edinho, o tema reforça a necessidade de um projeto de desenvolvimento nacional soberano, com o governo Lula vendo esses recursos como base para a revitalização industrial do país, e não apenas como commodity para exportação.

Edinho Silva também defendeu o fim da escala de trabalho 6 X 1, classificando a resistência à medida como "falta de inteligência". Para o presidente do PT, o Brasil precisa discutir seriamente a redução da jornada diante do avanço tecnológico e da diminuição do número de postos de trabalho. O dirigente afirmou que a proposta do governo de reduzir a carga horária para 40 horas semanais é uma medida necessária para permitir que o ganho de produtividade resulte em consumo. "Se não for assim, não adianta aumentar a produtividade. Não vai ter quem consuma", argumentou.

O Cenário Eleitoral de 2026

Diante das turbulências e da queda de braço com o Congresso, o dirigente disse que não existe a hipótese de Lula não disputar o pleito de 2026. Edinho afirmou que o atual chefe do Executivo é o candidato do partido e o líder mais preparado para conduzir o país.

Escrito por Redação Leia Política