Eleições Peruanas: Indefinição Persiste Após Um Mês de Apuração do 1º Turno
Um mês após o 1º turno das eleições presidenciais do Peru, a disputa pela segunda vaga no 2º turno entre Roberto Sánchez e Rafael López Aliaga segue indefinida. Keiko Fujimori já está classificada, enquanto a Onpe ainda finaliza a contagem. A demora alimenta a desconfiança política, e Aliaga denuncia atas extraviadas pedindo recontagem de votos.

LIMA, PERU - Um mês após a realização do 1º turno das eleições presidenciais do Peru, em 12 de abril, as autoridades eleitorais ainda não definiram qual candidato disputará o 2º turno contra Keiko Fujimori (Fuerza Popular, direita), que já está matematicamente classificada. Roberto Sánchez (Juntos por el Perú, esquerda) e Rafael López Aliaga (Renovación Popular, direita) disputam o 2º lugar com uma diferença de 14.474 votos, sem que o resultado oficial tenha sido divulgado.
Até as 13h desta 2ª feira (11.mai.2026), a Onpe (Escritório Nacional de Processos Eleitorais) havia contabilizado 99,635% das atas. Restam 339 atas para serem enviadas ao JEE (Jurado Eleitoral Especial) e contabilizadas.
Disputa acirrada e números provisórios
Sánchez ocupa o 2º lugar com 2.003.902 votos válidos, o equivalente a cerca de 12% do total, tornando-se o candidato mais provável ao 2º turno. Rafael López Aliaga mantém-se na 3ª posição com uma margem próxima, totalizando 1.989.428 votos válidos, o que representa aproximadamente 11,914%.
O 2º turno das eleições está marcado para 7 de junho. Mesmo com a divulgação imediata dos resultados, os candidatos com mais votos terão menos de um mês para organizar e realizar a campanha da nova etapa da disputa presidencial.
Clima de desconfiança e histórico político
A demora na divulgação dos resultados definitivos fomentou o clima de desconfiança política no país, já elevado pela recorrente troca de chefes de Estado. O presidenciável eleito será a 9ª pessoa a ocupar o cargo em 10 anos. Desde 2016, nenhum presidente peruano concluiu regularmente o mandato de 5 anos, principalmente por causa de escândalos de corrupção.
Além da lentidão na apuração, o partido Renovación Popular, de Rafael López Aliaga, afirma que 94 atas eleitorais foram extraviadas. Segundo a legenda, esses registros correspondem a 28.000 votos provenientes do exterior, de Lima e da cidade de Callao. O candidato tem feito campanha pela recontagem dos votos, argumentando que os votos não contabilizados poderiam impulsioná-lo ao 2º lugar e levá-lo ao 2º turno.
Sobre os próximos passos, Clavijo afirmou que "uma vez concluída esta etapa da contagem de votos, os Júris Eleitorais Especiais solicitarão aos centros de computação dos Escritórios Descentralizados da Onpe o relatório de 100% da apuração no escopo de sua competência territorial. Posteriormente, emitirão a Ata Descentralizada de Proclamação de Resultados do Cálculo da Eleição do Presidente e dos Vice-Presidentes da República".