Brasília

EUA Classificam PCC e CV como Terroristas; Brasil Repudia Decisão e Tem Intervenção

O governo brasileiro, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, manifestou oposição veemente à classificação do PCC e do Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO) pelos Estados Unidos, anunciada nesta quinta-feira (28.mai.2026). A decisão do Departamento de Estado norte-americano gera grande receio no Brasil de que possa facilitar intervenções unilaterais e causar sérios prejuízos à economia nacional, especialmente após o histórico de invasão da Venezuela em fevereiro deste ano. O assessor especial da Presidência, Celso Amorim, reforçou que, embora a cooperação internacional seja bem-vinda no combate ao crime organizado, pretextos para intervenção são inaceitáveis. O Planalto argumenta que as facções têm motivação econômica, e não ideológica, o que diverge da definição brasileira de terrorismo.

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EUA Classificam PCC e CV como Terroristas; Brasil Repudia Decisão e Tem Intervenção
Foto: Reprodução / Leia Política
WASHINGTON, EUA -

O Departamento de Estado norte-americano anunciou nesta quinta-feira (28.mai.2026) a classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) como FTOs (Organizações Terroristas Estrangeiras). A decisão já vinha sendo sinalizada pelos Estados Unidos e encontra forte oposição do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Brasil se opõe e alerta para riscos.

O governo brasileiro manifesta receio de que a medida norte-americana possa facilitar intervenções unilaterais no Brasil, uma preocupação que foi ampliada após a invasão da Venezuela em fevereiro deste ano. Além disso, a administração Lula avalia que a classificação poderá gerar prejuízos à economia nacional. Em nota divulgada após o anúncio, o assessor especial da Presidência, Celso Amorim, foi claro: “segurança pública é um tema fundamental para o desenvolvimento socioeconômico. Crime organizado é um mal que tem que ser combatido. Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção é inaceitável”.

O Planalto também afirma que a designação amplia uma divergência jurídica já existente com Washington, podendo gerar efeitos colaterais sobre instituições financeiras brasileiras. A legislação norte-americana permite sanções a bancos e empresas que operem com organizações enquadradas como FTO, mesmo sem conhecimento direto da ligação com os grupos.

Nos Estados Unidos, a designação de uma organização estrangeira como terrorista desencadeia sanções financeiras, restrições de visto e outras medidas contra seus membros e apoiadores.

Histórico das negociações.

Em março, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, conversou por telefone com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que já sinalizava o enquadramento das facções como “ameaças significativas à segurança regional”. Dois meses depois, o Brasil informou formalmente aos Estados Unidos que não concordava com a classificação. O tema foi abordado em uma reunião em Brasília com autoridades brasileiras e representantes norte-americanos liderados por David Gamble, chefe interino de coordenação do Departamento de Sanções dos EUA.

O governo brasileiro avalia que o PCC e o Comando Vermelho não se enquadram na definição de “terrorismo” segundo a legislação nacional, por atuarem com motivação econômica e controle territorial, e não ideológica.

Assunto fora da pauta Lula-Trump.

Apesar da relevância, o tema da classificação das facções criminosas não foi tratado na reunião entre o presidente Lula e o presidente Donald Trump, realizada em 7 de maio. Segundo o próprio presidente Lula, o assunto não entrou na conversa sobre segurança e combate ao crime.

Escrito por Redação Leia Política