EUA retiram 5 mil militares da Alemanha por atrito sobre guerra contra o Irã
Os Estados Unidos anunciarão a retirada de 5.000 militares de uma base na Alemanha, em resposta às crescentes tensões diplomáticas entre o presidente Donald Trump e o chanceler alemão Friedrich Merz. O atrito se intensificou devido às críticas de Berlim à condução da guerra contra o Irã e à ausência de uma estratégia de saída clara por parte de Washington. Trump retaliou as críticas, instruindo Merz a focar em questões internas alemãs e na guerra Rússia-Ucrânia, refletindo sua doutrina de priorizar aliados que demonstrem apoio total.

WASHINGTON, EUA - Os Estados Unidos confirmaram nesta sexta-feira (1º.mai.2026) a retirada de 5.000 militares norte-americanos da base na Alemanha. A medida, que será finalizada em um prazo de 6 a 12 meses, surge em meio ao aumento da tensão diplomática entre o presidente Donald Trump e o chanceler alemão, Friedrich Merz, relacionada à condução da guerra contra o Irã. Atualmente, a Alemanha abriga 35.000 soldados dos EUA, o maior efetivo estadunidense em solo europeu.
Escalada da Tensão Diplomática
A decisão de Washington vem em resposta às críticas abertas de Berlim. Na última segunda-feira (27.mai), o chanceler Merz declarou que os EUA estão sendo "humilhados" nas negociações com o Irã e questionou a ausência de uma estratégia de saída clara por parte do governo norte-americano. Com a retirada, os níveis de tropas devem retornar ao patamar registrado antes de 2022, quando a presença militar dos EUA na região foi reforçada devido à invasão russa na Ucrânia.
Em resposta, o presidente Trump usou sua rede social, a Truth Social, na quinta-feira (30.abr), para atacar o chanceler alemão. Trump afirmou que Merz deveria se dedicar a "consertar seu país quebrado" e a "acabar com a guerra entre Rússia e Ucrânia", alegando que a atuação do premiê "tem sido totalmente ineficaz". O presidente reforçou sua posição: “O chanceler da Alemanha deveria dedicar mais tempo a acabar com a guerra entre Rússia e Ucrânia (onde ele tem sido totalmente ineficaz!) e a consertar seu país quebrado, especialmente a imigração e a energia, e menos tempo interferindo com aqueles que estão eliminando a ameaça nuclear do Irã, tornando, assim, o mundo, incluindo a Alemanha, um lugar mais seguro!”.
Doutrina de Lealdade e Crise Energética
A medida reflete a doutrina de Trump de priorizar aliados que demonstrem apoio total às operações norte-americanas. Relatórios internos indicam que o governo estuda outras punições para membros da Otan considerados "desleais", incluindo discussões sobre a possível suspensão da Espanha da aliança e a revisão do apoio à Grã-Bretanha na disputa pelas Ilhas Malvinas.
Segundo a Reuters, o desgaste entre os dois países também é impulsionado pela crise energética global. Trump critica a falta de apoio naval europeu para reabrir o estreito de Ormuz, que está majoritariamente bloqueado desde o início dos ataques contra o Irã, em 28 de fevereiro. Para o presidente norte-americano, essa interrupção no fluxo de petróleo tem causado instabilidade no mercado internacional.