Fachin Alerta: Regimes Autoritários Usam Instituições Democráticas para Consolidar Poder
O presidente do STF, Edson Fachin, alertou que regimes autoritários do século 21 utilizam as próprias instituições democráticas para consolidar poder, corroendo-as gradualmente. A declaração foi feita na abertura da 16ª Conferência Ibero-Americana de Justiça Constitucional, em Brasília, onde ele também destacou a importância da independência judicial e os desafios impostos pelas redes sociais e inteligência artificial à democracia.

Segundo Fachin, os "regimes autoritários do século 21" não operam necessariamente por meio de rupturas institucionais explícitas. Ele diferenciou essa dinâmica dos "golpes clássicos, bruscos e violentos", explicando que a erosão democrática contemporânea ocorre progressivamente, utilizando as próprias estruturas democráticas.
"Os regimes autoritários do século 21 constroem sua hegemonia não necessariamente com tanques nas ruas, mas frequentemente por meio das próprias instituições democráticas", declarou o ministro.
Ameaças à Independência Judicial e Desafios Tecnológicos
O ministro também abordou que cortes constitucionais em diversos países enfrentam tentativas de interferência e deslegitimação institucional. Ele mencionou iniciativas para influenciar a composição e a atuação dos tribunais, além de movimentos para "punir seus integrantes" por decisões judiciais.
Fachin ressaltou que a independência judicial "não é um atributo corporativo da magistratura", mas sim "uma garantia da cidadania". O presidente do STF enfatizou que, quando um tribunal cede à pressão política, "quem é prejudicado não é o juiz, é o jurisdicionado que esperava tutela imparcial".
Durante seu discurso, Fachin também analisou o impacto das redes sociais e da inteligência artificial sobre a democracia. Ele apontou que as "bolhas algorítmicas" dificultam o diálogo público e que as ferramentas de inteligência artificial estão redefinindo a formação da opinião do eleitorado.
Contexto da Conferência
A 16ª Conferência Ibero-Americana de Justiça Constitucional reúne representantes de cortes constitucionais e supremas cortes da América Latina, Europa, África e do mundo árabe. O evento está programado para seguir até quinta-feira (14.mai).