Fazenda amplia bloqueio de gastos e Durigan aponta juros 'não civilizados' no país
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou nesta 5ª feira (21.mai.2026) a ampliação do bloqueio de despesas do governo federal, detalhe que será divulgado amanhã (22.mai.2026). Durigan também criticou os juros brasileiros, classificados como 'não civilizados' em 14,5%, e reconheceu a complexidade para a rolagem da dívida pública. O ministro destacou um corte de 10% em benefícios fiscais em 2026 e a meta de recuperar o grau de investimento do país através do controle fiscal.

BRASÍLIA, DF - O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou nesta 5ª feira (21.mai.2026) que o governo federal irá ampliar o bloqueio de despesas. O Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias, que detalhará a medida, será divulgado na 6ª feira (22.mai.2026). A ação visa o controle fiscal em um período de desafios econômicos.
Bloqueio Orçamentário Ampliado
Em entrevista à CNN Brasil, Durigan não especificou o novo valor do bloqueio orçamentário, que atualmente está em R$ 1,6 bilhão. O objetivo é garantir o cumprimento das metas fiscais de 2026, uma decisão tomada em razão do crescimento dos gastos obrigatórios do governo. As receitas federais, por sua vez, permanecem dentro do previsto na Lei Orçamentária.
Juros "Não Civilizados" e Dívida Pública
O ministro Dario Durigan concordou que os juros brasileiros "não são civilizados" e reconheceu que a taxa básica de 14,5% representa um problema para a rolagem da dívida pública. Ele afirmou que o foco do governo permanece em medidas de ajuste fiscal gradual e que "não há bala de prata" para resolver o problema dos juros imediatamente.
Corte de Benefícios Fiscais
Durigan também destacou que o governo implementou um corte de 10% em benefícios fiscais em 2026. Segundo o ministro, essa é uma mudança em relação a gestões anteriores, que teriam diagnosticado a necessidade de revisão, mas não agiram. As medidas fiscais adotadas, incluindo a revisão dos benefícios, têm como meta a recuperação do grau de investimento do país.
O ministro avalia que o corte de benefícios precisa ser ampliado nos próximos anos para melhorar a capacidade de adequação do orçamento público e reaver o grau de investimento. "Eu acho que precisa aumentar esse corte para os próximos anos. A gente precisa seguir revendo isso de modo que a gente tenha, voltar a ter grau de investimento no país, melhorar a nossa capacidade de adequar o orçamento", afirmou Durigan.
Metas Fiscais e Arcabouço
Durigan ressaltou a importância de manter o controle da despesa pública para assegurar o cumprimento do arcabouço fiscal e a melhoria das contas públicas. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estimou em março um superavit primário de R$ 3,5 bilhões para 2026, valor R$ 30,8 bilhões inferior ao centro da meta orçamentária para o ano, que é de R$ 34,3 bilhões.