Filho de negociador-chefe do Hamas é morto em ataque israelense no Cairo
Azzam Al-Hayya, filho de Khalil Al-Hayya, principal negociador do Hamas, morreu em um ataque aéreo israelense enquanto seu pai participa de conversas de cessar-fogo no Cairo, Egito.

CAIRO, EGITO - Um ataque aéreo de Israel matou o filho do principal negociador do Hamas nas conversas mediadas pelos Estados Unidos sobre o futuro da Faixa de Gaza. A informação foi divulgada por um alto funcionário do grupo palestino na quinta-feira (7.mai.2026).
Morte em meio a negociações de paz em Gaza
Azzam Al-Hayya, filho de Khalil Al-Hayya, não resistiu aos ferimentos provocados por um bombardeio israelense na noite de quarta-feira (6.mai). Essa é a quarta vez que um filho do negociador do Hamas morre em ofensivas militares israelenses. Anteriormente, um filho foi morto em um ataque em Doha, Catar, em 2025, e outros dois em operações contra a Faixa de Gaza em 2008 e 2014. O Exército de Israel não se manifestou sobre a operação.
A morte de Azzam ocorre no momento em que líderes do Hamas realizam conversas no Cairo (Egito) com mediadores regionais e com Nickolay Mladenov, enviado principal do Conselho da Paz. O objetivo dos encontros é manter o cessar-fogo com os israelenses e impulsionar a segunda fase do plano do presidente dos EUA, Donald Trump, para o território.
Acusações e discordâncias sobre o plano de Trump
Em entrevista à Al Jazeera, antes do anúncio da morte de Azzam, Khalil Al-Hayya acusou o governo de Israel de tentar minar os esforços dos mediadores. "Esses ataques e violações sionistas indicam claramente que a ocupação não quer respeitar o cessar-fogo ou a primeira fase [do acordo]", declarou o representante do Hamas.
O projeto de Trump, que Israel e Hamas concordaram em outubro de 2025, prevê a retirada das tropas israelenses da Faixa de Gaza e o início da reconstrução da infraestrutura local assim que o grupo extremista depuser as suas armas. No entanto, o desarmamento do Hamas é um ponto de discórdia nas conversas para implementar as medidas e consolidar o cessar-fogo, que interrompeu dois anos de guerra declarada na região.
Um representante do grupo palestino informou à agência Reuters que a organização avisou a Mladenov que não participará de negociações sobre a segunda fase do plano antes que Israel cumpra as obrigações da primeira etapa, o que inclui a suspensão completa dos ataques.
Balanço de vítimas desde o cessar-fogo
Desde que o acordo de cessar-fogo entrou em vigor, médicos locais registraram a morte de pelo menos 830 palestinos. Israel, por sua vez, relatou que militantes mataram quatro de seus soldados durante o mesmo período.