Fim da Escala 6x1: Governo Exige Implementação Imediata e Critica 'Lobby Empresarial'
O Ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, declarou nesta terça-feira (12.mai.2026) que o governo federal não aceitará uma proposta para o fim da escala de trabalho 6x1 que preveja um longo prazo de transição. Boulos criticou o lobby de setores empresariais que buscam adiar a implementação por anos, defendendo a adoção imediata da jornada semanal de 40 horas sem redução salarial. A proposta, que conta com urgência constitucional enviada pelo Presidente Lula, segue em trâmite no Congresso.

Críticas ao Lobby Empresarial e Prazos
O ministro criticou veementemente o que chamou de "lobby de setores empresariais", que estaria atuando para aprovar o fim da 6x1, mas com a condição de que as mudanças entrem em vigor apenas anos depois. "Tem muito lobby de grande empresário trabalhando nisso, que é o seguinte: até aprova o fim da 6x1, mas para valer daqui a 10 anos. A gente não aceita isso", declarou Boulos. Ele ainda comparou a situação à aprovação de benefícios no setor público: "Quando aprova penduricalho e privilégio, vale no dia seguinte que foi aprovado. Que critério é esse?".
Boulos alertou ainda para o risco de a proposta, mesmo após ser aprovada na Câmara dos Deputados, "ficar dormindo em berço esplêndido no Senado", devido à falta de urgência constitucional para o tema.
Posição Governamental e Trâmite no Congresso
A posição oficial do governo é pelo fim imediato da escala 6x1, sem qualquer redução salarial para os trabalhadores, e com a adoção de uma jornada semanal de 40 horas. A discussão envolve a unificação de Propostas de Emenda à Constituição (PECs) apresentadas pelos deputados Reginaldo Lopes (PT-MG) e Erika Hilton (Psol-SP).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já havia enviado ao Congresso, em abril, um projeto sobre o tema com pedido de urgência constitucional. O relator da proposta, Leo Prates (Republicanos-BA), informou que apresentará seu parecer no próximo dia 20 de maio. O presidente da Câmara, Hugo Motta, manifestou confiança em uma ampla convergência para a aprovação do texto nas próximas semanas. Estima-se que as mudanças na jornada de trabalho possam impactar cerca de 37 milhões de trabalhadores brasileiros.