Irã Autoriza Passagem em Ormuz para China e Índia, Mas Impõe Pedágio e Mantém Tensão Regional
O governo chinês confirmou a passagem de três navios pelo estreito de Ormuz, que estava bloqueado pelo Irã desde 28 de fevereiro. A China e a Índia, grandes dependentes da rota, negociaram o acesso enquanto o Irã institui um novo pedágio e restrições a países 'hostis'. A tensão permanece alta na região após um petroleiro kuwaitiano ser alvo de ataque.

PEQUIM, CHINA - O governo chinês confirmou nesta terça-feira (31.mar.2026) que três de seus navios atravessaram o estratégico estreito de Ormuz, uma rota marítima crucial que concentra 25% do comércio global de petróleo e que estava efetivamente bloqueada pelo Irã desde o início da guerra contra Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, expressou gratidão ao Irã pela permissão de passagem das embarcações. A China é um dos países mais dependentes da rota de Ormuz para o transporte de mercadorias e, excluindo as nações do Oriente Médio com portos travados, é uma das mais impactadas pelo bloqueio iraniano.
Em coletiva com jornalistas, Ning declarou: “Após coordenação com as partes relevantes, 3 embarcações chinesas transitaram pelo Estreito de Ormuz nos últimos dias, e expressamos nossa gratidão pela assistência prestada por essas partes”. Pelo menos dois dos navios pertencem à gigante chinesa Cosco, e atravessaram o estreito na sexta-feira (27.mar). Segundo o jornal chinês Caixin, essas embarcações estavam vazias e seguem sua rota original rumo à Malásia.
Índia Também Consegue Permissão de Passagem
A Índia também obteve sucesso em negociar a passagem de navios por Ormuz. Pelo menos duas embarcações carregadas de GNL (gás natural liquefeito) foram autorizadas pelo Irã a seguir rumo ao país, que igualmente depende da rota marítima para seu suprimento energético.
Tensão Persiste e Irã Implementa Pedágio
Apesar da retomada parcial do trânsito de navios, a situação no Golfo Pérsico continua tensa. Na madrugada desta terça-feira (31.mar), um navio petroleiro de bandeira do Kuwait, totalmente carregado de petróleo, foi alvo de um ataque atribuído ao Irã, resultando em incêndio.
O Irã indicou que manterá um controle rigoroso sobre o fluxo de navios. Na segunda-feira (30.mar), o Parlamento persa aprovou uma proposta para cobrar pedágio de navios que cruzarem Ormuz. A medida também prevê restrições à passagem de embarcações de países considerados hostis, como Estados Unidos e Israel. Embora o valor do pedágio ainda não esteja definido, autoridades iranianas sugerem que pode chegar a milhões de dólares por navio, tornando-se uma nova e relevante fonte de receita para Teerã.