Economia

Irã cede parcialmente em Ormuz e permite passagem de 15 navios após ultimato de Trump

O Irã permitiu a travessia de 15 embarcações pelo estreito de Ormuz nas últimas 24 horas, conforme agências iranianas. A medida ocorre após o presidente dos EUA, Donald Trump, estender o prazo final para a reabertura total do canal, em um contexto de bloqueio retaliatório e graves impactos na economia global, incluindo alta do petróleo e inflação.

Compartilhe
Ouvir AnáliseNarrado por IA
Irã cede parcialmente em Ormuz e permite passagem de 15 navios após ultimato de Trump
Foto: Reprodução / Leia Política
TEERÃ, IRÃ -

Irã cede parcialmente em meio a ultimato americano

O Irã permitiu a travessia de 15 embarcações pelo estratégico estreito de Ormuz nas últimas 24 horas, conforme informações divulgadas neste domingo (5.abr.2026) pela agência de notícias iraniana semioficial Fars. A passagem marítima é crucial para o tráfego de aproximadamente 20% do petróleo mundial, além de gás natural e ureia, sendo um ponto sensível no cenário geopolítico global.

Pressão de Washington e extensão de prazo

A decisão iraniana surge em meio a uma intensa pressão internacional. O Presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano), publicou em suas redes sociais também neste domingo (5.abr.2026) a mensagem "Terça-feira, 20h (horário do leste do EUA)", estendendo o prazo para que o Irã reabra completamente o estreito.

No sábado (4.abr.2026), o presidente norte-americano havia declarado que o país persa teria 48 horas para reabrir a área, alertando que o "inferno" cairia sobre o Irã caso a medida não fosse cumprida e que o tempo para um acordo estava se "esgotando".

Contexto da tensão e impactos globais

O bloqueio anterior do estreito pelo Irã foi uma retaliação direta aos ataques conjuntos de EUA e Israel ao seu território, iniciados em 28 de fevereiro. Este cenário de hostilidades provocou um aumento significativo do preço do barril de petróleo, pressionando a inflação global e afetando mercados internacionais. A situação adiciona tensão política interna para o Presidente Trump, com as eleições de meio de mandato, que definirão o controle do Congresso, se aproximando em 5 de novembro.

Desde o início dos ataques conjuntos com Israel contra o Irã, Washington tem mobilizado aliados para contribuir com a segurança da navegação no estreito de Ormuz, que é controlado pelo regime iraniano. A guerra já deixou milhares de mortes e provocou forte instabilidade nos mercados globais.

Cautela de aliados e condição para cooperação

Apesar da pressão americana, líderes europeus têm sinalizado cautela. Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Holanda, Japão e Canadá emitiram uma nota conjunta em 19 de março, afirmando a intenção de cooperar para garantir a passagem segura na região, mas condicionam qualquer ação ao fim das hostilidades. Com exceção do Japão, todos os demais países signatários da nota integram a Otan. O chanceler alemão, Friedrich Merz, reforçou que a medida depende da cessação dos combates.

Escrito por Redação Leia Política