Lula Envia Recados Indiretos a Trump sobre Tarifas e Classificação de Grupos no G7
Durante seu discurso na cúpula do G7 em Évian-les-Bains, o presidente Lula fez críticas indiretas ao protecionismo e unilateralismo, interpretadas como uma resposta às propostas do presidente Donald Trump de tarifar produtos brasileiros. Ele também abordou a classificação de organizações criminosas, defendendo cooperação internacional com respeito à autonomia dos países.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou seu discurso na cúpula do G7, realizada nesta terça-feira (16/6) em Évian-les-Bains, França, para enviar recados indiretos ao atual presidente Donald Trump. As mensagens focaram no “tarifaço” e na classificação de grupos como o Comando Vermelho (CV) e o PCC como organizações terroristas.
Críticas ao Protecionismo de Washington
Sem mencionar nominalmente Donald Trump ou os Estados Unidos, Lula teceu críticas às medidas protecionistas adotadas por grandes potências econômicas. O presidente brasileiro afirmou que “o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas”.
Integrantes da comitiva brasileira interpretaram a declaração como uma clara reação às propostas do governo Trump de sobretaxar produtos brasileiros. Atualmente, os Estados Unidos consideram duas propostas de tarifas sobre as importações brasileiras: uma de 25% e outra de 12,5%.
Combate ao Crime Transnacional com Autonomia
O outro ponto de crítica indireta de Lula a Trump surgiu no trecho em que o presidente brasileiro defendeu o combate aos crimes transnacionais como parte fundamental da agenda de desenvolvimento. Lula defendeu a ampliação da cooperação internacional, mas ressaltou a importância inegociável de que qualquer iniciativa deve respeitar a autonomia dos países.
Apesar de classificar a declaração dos líderes do G7 sobre o combate ao tráfico de drogas como “um passo positivo”, Lula enfatizou que “o enfrentamento ao narcotráfico não pode ser dissociado de outros ilícitos como a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas”.