Lula utiliza 'agendas secretas' antes de campanha eleitoral de 2026
Presidente Lula tem intensificado encontros fora da agenda oficial, incluindo reunião com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e representantes russos, levantando questões sobre a transparência governamental antes do pleito de 2026.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem se valido de uma série de "agendas secretas" nas últimas semanas, um período estratégico que antecede o início oficial da campanha eleitoral de 2026. Essa conduta ocorre apesar de o próprio presidente ter sido um crítico dos sigilos impostos durante a gestão de Jair Bolsonaro.
Encontro sigiloso com Alcolumbre.
O caso mais recente a vir à tona é a reunião entre o presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que se tornou um desafeto do petista após atuar na rejeição da indicação do ministro Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. O presidente Lula, no entanto, havia manifestado que daria o benefício da dúvida ao seu ex-aliado. O encontro aconteceu na terça-feira, 4 de agosto, na residência do ministro do STF Alexandre de Moraes, conhecido por ser o responsável pela prisão de Jair Bolsonaro. A reunião, contudo, não foi registrada nas agendas oficiais nem de Lula nem de Alcolumbre.
Questionado pela reportagem do G1 sobre o tema, Alcolumbre optou por classificar o assunto como "segredo", sugerindo que a conversa entre ele e o presidente teria caráter estritamente pessoal, sem envolver pautas de interesse público.
Reunião com russos e telefonema a Putin.
No mesmo dia em que se reuniu com o presidente do Senado, o presidente Lula também recebeu, fora de sua agenda pública, integrantes do governo russo. Horas após este encontro não oficial, o petista realizou uma ligação para o presidente da Rússia, Vladimir Putin, cujo teor foi posteriormente revelado por meio de uma nota oficial.
Café com Moraes e sorteio no STF.
Em outro momento que levantou questionamentos, o presidente Lula foi flagrado por câmeras e microfones convidando o ministro Alexandre de Moraes para um "café" informal. O convite ocorreu em 29 de julho, logo após a cerimônia de sanção do projeto que instituiu o "Pix Pensão". À época, o ministro Moraes presidia interinamente o STF devido ao recesso parlamentar. No mesmo dia, o ministro conduziu um novo sorteio para definir o relator de um dos pedidos de investigação envolvendo Fábio Luís da Silva, conhecido como Lulinha.