Mensagens de Moraes e banqueiro travam pautas do governo Lula no Senado
A revelação de mensagens sobre a relação entre o ministro do STF Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, divulgadas ontem (1º de setembro), ameaça pautas do governo Lula no Senado. Senadores bolsonaristas intensificam a pressão por impeachment, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, aliado de Moraes, pode adiar votações cruciais, como a PEC 6x1, para gerenciar a crise política.

A divulgação de mensagens que expõem a relação considerada "nada ortodoxa" entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e o banqueiro Daniel Vorcaro, está gerando um impacto direto na agenda do governo Lula no Senado. As revelações têm o potencial de atrapalhar a votação de pautas estratégicas para o Executivo nesta semana, incluindo a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6x1.
Contexto das Revelações.
As mensagens vieram à tona após o ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo, levantar o sigilo de parte das investigações nesta terça-feira, 1º de setembro. Imediatamente após a divulgação, senadores bolsonaristas retomaram com intensidade a pressão pelo impeachment do ministro Alexandre de Moraes.
Pressão Política no Senado.
Membros do governo Lula expressam temor de que o ambiente político no Senado seja "contaminado" pelas revelações envolvendo Moraes, prejudicando as votações de interesse do Executivo durante o esforço concentrado desta semana. Este período é crucial, sendo o último antes do primeiro turno das eleições.
O temor central é que, para reduzir a pressão da oposição pela remoção de Moraes, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decida postergar a votação de pautas de interesse do governo na Casa. Entre essas pautas, destaca-se a PEC 6x1, que estava prevista para ser votada ainda nesta semana no Senado.
Estratégia de Alcolumbre.
Nos bastidores, Alcolumbre já indicou que as chances de ele iniciar um processo de impeachment contra Moraes são praticamente nulas. O atual presidente do Senado é um aliado próximo do ministro e não demonstra inclinação para apoiar a ofensiva da oposição. Diante da pressão dos bolsonaristas, a estratégia provável de Alcolumbre é brecar a votação da PEC 6x1 no plenário do Senado. Ele deve permitir, por enquanto, apenas a análise da proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Na semana passada, Alcolumbre havia sinalizado ao governo sua disposição em votar a PEC tanto na CCJ quanto no plenário nesta mesma semana. Caso o texto aprovado pela Câmara não sofresse modificações, a proposta poderia seguir diretamente para a promulgação, constituindo um importante ativo eleitoral para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.