Petrobras: Lucro Cai 7,2% no 1º Tri de 2026, Apesar de Receita Aumentar
A Petrobras reportou lucro líquido de R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026, uma queda de 7,2% em relação ao mesmo período de 2025, apesar de a receita de vendas ter avançado 0,4%, atingindo R$ 123,7 bilhões. A redução do lucro foi atribuída à queda nos ganhos cambiais pela valorização do real, aumento de despesas tributárias, maiores participações governamentais e o impacto da subvenção ao óleo diesel.

BRASÍLIA, DF - A Petrobras anunciou lucro líquido de R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026, marcando uma queda de 7,2% em comparação com o mesmo período de 2025. Este resultado foi divulgado apesar de um avanço na receita de vendas da companhia, que cresceu 0,4%, alcançando R$ 123,7 bilhões no trimestre, superando os R$ 123,1 bilhões registrados no ano anterior.
Pressões sobre o Lucro
Apesar do aumento da receita, o lucro foi impactado negativamente por diversos fatores. Houve uma redução significativa nos ganhos cambiais e um aumento nas despesas tributárias, assim como nas participações governamentais.
A valorização do real frente ao dólar foi um dos pontos que afetou os resultados, uma vez que parte relevante dos custos e operações da Petrobras é atrelada à moeda norte-americana. O dólar médio de venda caiu de R$ 5,84 no 1º trimestre de 2025 para R$ 5,26 no mesmo período de 2026, diminuindo os ganhos cambiais da estatal.
As despesas tributárias também cresceram, passando de R$ 722 milhões no 1º trimestre de 2025 para R$ 2,48 bilhões neste ano. A companhia explicou que esse aumento se deve, principalmente, a um acordo firmado com o Estado do Rio de Janeiro no Regime de Recuperação Fiscal (REFIS), que encerrou uma disputa sobre a cobrança de ICMS no consumo de diesel marítimo.
No segmento de exploração e produção, as participações governamentais registraram alta de 10,6% em relação a 2025, totalizando R$ 18,1 bilhões em pagamentos de royalties, participação especial e retenção de área.
A subvenção ao óleo diesel também representou uma pressão, com um efeito negativo de R$ 1,3 bilhão nas contas a receber da companhia, incluindo R$ 741 milhões que ainda devem ser pagos pelo Governo Federal referente ao programa. As regras da subvenção estabelecem que produtores e importadores vendam diesel dentro de parâmetros governamentais para posterior ressarcimento, mediante comprovação dos descontos repassados aos consumidores.
Alta do Petróleo e Reconhecimento de Receita
A Petrobras informou que a alta recente do petróleo e o recorde de produção ainda não se refletiram integralmente nas receitas do primeiro trimestre. Isso ocorre devido à defasagem entre o embarque do petróleo e o reconhecimento contábil das vendas, que só é registrado quando a carga chega ao destino.
Além disso, boa parte das exportações destinadas à Ásia, principal destino do petróleo exportado pela empresa, é precificada com base nas cotações do mês anterior à chegada da carga. Assim, os efeitos da alta do petróleo, intensificada após o início da guerra no Irã em 28 de fevereiro, deverão ser sentidos com maior intensidade apenas no segundo trimestre de 2026. O Brent, referência internacional, teve média de US$ 80,61 por barril no 1º trimestre de 2026, alta de 6,5% frente a 2025.