Petrobras Reativa Ansa e Fortalece Presença no Mercado de Fertilizantes
A Petrobras anunciou a retomada das operações da subsidiária Ansa em Araucária, Paraná, iniciando a produção de ureia após seis anos de paralisação. O investimento de R$ 870 milhões integra o plano da estatal de retornar ao mercado de fertilizantes, gerando mais de 2.000 empregos na fase de mobilização e mantendo 700 diretos. A iniciativa visa reduzir a dependência externa e alcançar 20% do mercado nacional de ureia, impulsionada pelo cenário de alta nos preços devido ao conflito no Oriente Médio.

A Petrobras anunciou a retomada das operações de sua subsidiária Ansa (Araucária Nitrogenados S.A), localizada em Araucária, no Paraná. A estatal iniciou nesta 5ª feira (30.abr.2026) a primeira produção de ureia desde a reativação da unidade, que estava paralisada desde 2020.
Investimento e Criação de Empregos
A reativação da Ansa faz parte de um plano estratégico da Petrobras para retornar ao mercado de fertilizantes, um segmento que tem sido fortemente pressionado por conta do conflito no Oriente Médio. Para viabilizar a operação, foram investidos R$ 870 milhões. A Petrobras vinha preparando a unidade desde 2024, quando a retomada foi oficialmente anunciada, com um processo que incluiu manutenções, inspeções técnicas, testes operacionais, recomposição de equipes e contratação de serviços.
De acordo com a empresa, a fase de mobilização resultou na abertura de mais de 2.000 empregos, além da manutenção de aproximadamente 700 postos de trabalho diretos para a operação regular da fábrica. A retomada das operações da unidade será realizada de forma gradual.
“Estamos retomando uma operação estratégica. A Ansa volta a produzir ureia em um momento em que ampliar a capacidade interna desse insumo é cada vez mais relevante para o Brasil”, declarou o presidente interino da Ansa, Marcelo dos Santos Faria.
Estratégia no Mercado de Fertilizantes
A reativação da Ansa é um componente crucial de um plano mais amplo da Petrobras para expandir sua atuação no mercado de fertilizantes, um produto essencial para o agronegócio e que representa uma parcela significativa dos investimentos do setor. A estatal já havia reiniciado a produção nas unidades Fafen-BA (Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados), na Bahia, em janeiro de 2026, e Fafen-SE, em Sergipe, em dezembro de 2025. Com a inclusão da Ansa, a companhia projeta atingir uma participação de 20% no mercado interno de ureia, um dos principais fertilizantes nitrogenados utilizados no país.
O plano da Petrobras prevê ainda a conclusão da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS), com expectativa de início da operação comercial em 2029. Com essa nova planta, a estatal visa atender cerca de 35% do mercado nacional de ureia nos próximos anos.
“Com as Fafens e, agora, a Ansa em pleno funcionamento, reduzimos a dependência externa de ureia e fortalecemos a cadeia produtiva do agronegócio e da indústria nacional. O setor de fertilizantes é estratégico para a Petrobras, e estamos retomando investimentos com base em estudos de viabilidade técnica e econômica”, afirmou em nota o diretor de Processos Industriais da estatal, William França.
Capacidade e Cenário Global
A Ansa, subsidiária da Petrobras, possui capacidade de produção de 720 mil toneladas/ano de ureia, o que equivale a aproximadamente 8% do mercado nacional; 475 mil toneladas/ano de amônia; além de 450 mil m³/ano do Agente Redutor Líquido Automotivo (Arla 32).
O retorno da Petrobras ao mercado de fertilizantes ocorre em um período em que o insumo está cerca de 60% mais caro, impulsionado pela guerra no Oriente Médio. Essa região é uma das principais produtoras globais de fertilizantes, e o escoamento é quase totalmente realizado pelo estreito de Ormuz, cujo tráfego foi afetado pelo conflito. Praticamente todos os fertilizantes utilizados no Brasil são importados. Em 2025, o país importou quase 90% do material, tornando-se o maior importador de matéria-prima no mundo. O avanço da Petrobras no setor pode contribuir significativamente para a redução da dependência externa desse tipo de mercadoria pelo Brasil.