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PF detalha suposta rede de benefícios a Jaques Wagner em operação do Banco Master

Um relatório da Polícia Federal aponta o senador Jaques Wagner (PT-BA) como aliado em uma operação de venda do Banco Master, segundo diálogo de seu proprietário, Daniel Vorcaro. A PF suspeita de um 'circuito único de contrapartidas recíprocas', ligando o apoio de Wagner a pagamentos a seu núcleo familiar. O senador, alvo da Operação Compliance Zero por supostos benefícios indevidos como uso de aeronaves e negociação de apartamento, nega as irregularidades. Wagner já deixou a liderança do governo por essas suspeitas.

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PF detalha suposta rede de benefícios a Jaques Wagner em operação do Banco Master
Foto: Reprodução / Leia Política
BRASÍLIA, DF -

Um relatório recente da Polícia Federal (PF) trouxe à tona detalhes sobre a investigação contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), apontando seu envolvimento em uma operação de venda do Banco Master. O documento, obtido pela coluna, revela um diálogo de 19 de agosto de 2025 entre Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e um jornalista, no qual Vorcaro identifica aliados do governo Lula favoráveis à aquisição da instituição financeira pelo Banco de Brasília (BRB).

Na conversa, Vorcaro indicou o então ministro da Casa Civil, Rui Costa, o então líder do governo no Senado, Jaques Wagner, e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, como apoiadores da operação. A PF interpreta a resposta do empresário como um sinal de que Wagner era percebido como um "aliado político em operação de natureza essencialmente regulatória, sujeita a critérios técnicos do Banco Central".

Segundo a investigação, "o alinhamento do parlamentar transcendia o mero acompanhamento legislativo e alcançava o plano das articulações políticas institucionais", sugerindo uma atuação para além de suas prerrogativas legislativas em favor dos interesses do Banco Master.

Suspeitas de Contrapartidas Recíprocas

A Polícia Federal reforça as suspeitas ao apontar uma coincidência entre o apoio de Jaques Wagner à compra do Banco Master e as cobranças de seu enteado, Eduardo Sodré Martins, a Augusto Ferreira Lima por pagamentos pendentes à BN Financeira. Para os investigadores, essa correlação indica que o apoio do senador e os repasses a seu núcleo familiar "integravam circuito único de contrapartidas recíprocas", ligando diretamente os atos do senador a benefícios familiares.

Investigação na Operação Compliance Zero

Jaques Wagner foi alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em 18 de junho de 2026, que apura supostas irregularidades envolvendo o Banco Master. A PF suspeita que o senador tenha recebido uma série de benefícios indevidos ao longo dos últimos anos, o que incluiria o uso frequente de aeronaves ligadas ao grupo de Daniel Vorcaro, ingressos para shows e a negociação de um apartamento em Salvador, avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões.

Os investigadores detalham que o imóvel em Salvador teria sido adquirido pelo ex-sócio do Banco Master, Augusto Lima, com a participação de intermediários conectados ao grupo investigado, com o objetivo de beneficiar o parlamentar. A PF também está apurando a suposta atuação de Wagner em favor dos interesses da instituição financeira no Congresso Nacional, consolidando a gravidade das acusações.

Em sua defesa, o senador Jaques Wagner nega qualquer irregularidade. Ele afirma que procurou Augusto Lima para uma compra temporária do apartamento, com o compromisso de recomprá-lo posteriormente para sua filha. É importante ressaltar que Jaques Wagner deixou a liderança do governo no Senado após o surgimento das primeiras suspeitas de seu envolvimento com Daniel Vorcaro.

Escrito por Redação Leia Política