Judiciário

PF e Receita Federal Desencadeiam Operação 'Rota do Fim' Contra Grupo Ligado à Carne Bovina e Facção do Rio

A Polícia Federal e a Receita Federal deflagraram nesta quarta-feira (27) a Operação Rota do Fim, que investiga uma organização criminosa suspeita de infiltrar a cadeia produtiva da carne bovina no Acre para tráfico de drogas e lavagem de R$ 200 milhões. O grupo é apontado como parceiro de uma facção do Rio de Janeiro e teve bens bloqueados em seis estados.

Compartilhe
Ouvir AnáliseNarrado por IA
PF e Receita Federal Desencadeiam Operação 'Rota do Fim' Contra Grupo Ligado à Carne Bovina e Facção do Rio
Foto: Reprodução / Leia Política
RIO BRANCO, AC -

A Polícia Federal (PF) e a Receita Federal (RF) deflagraram nesta quarta-feira (27) a Operação Rota do Fim, mirando uma complexa organização criminosa. O grupo é suspeito de ter se infiltrado na cadeia produtiva da carne bovina no Acre para realizar tráfico de drogas e lavagem de dinheiro em larga escala, com conexões a uma facção criminosa do Rio de Janeiro. As investigações revelaram uma movimentação de cerca de R$ 200 milhões em recursos ilícitos.

A operação cumpre sete mandados de prisão preventiva e 30 de busca e apreensão em diversos estados brasileiros, incluindo Acre, Rondônia, Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba e Mato Grosso. A Vara de Delitos de Organizações Criminosas de Rio Branco também determinou o bloqueio de 25 imóveis, 25 veículos, valores financeiros e extensos rebanhos bovinos vinculados aos investigados, visando descapitalizar a estrutura criminosa.

Origem da Investigação e Modus Operandi.

As investigações foram iniciadas após a apreensão de 469 kg de cocaína e 160 gramas de maconha em Poconé, Mato Grosso. As substâncias ilícitas estavam ocultas em uma carga de farinha de ossos e biscoitos que havia partido de Rio Branco, Acre, com destino ao Rio Grande do Norte. Este flagrante expôs a metodologia do grupo para o transporte de entorpecentes.

Segundo a Receita Federal, a organização criminosa atuava em diferentes elos da cadeia produtiva da carne bovina. Eles utilizavam fornecedores de gado, frigoríficos, distribuidoras, comerciantes de subprodutos e até uma empresa especializada em leilões de gado. As empresas envolvidas eram empregadas tanto em atividades lícitas quanto para o transporte de entorpecentes para o Nordeste e a ocultação de fundos provenientes do tráfico.

Esquemas de Lavagem de Dinheiro e Reafirmação Institucional.

Para a lavagem dos recursos ilícitos, os investigadores identificaram o uso de contas bancárias de terceiros, postos de combustíveis e empresas de fachada. A Receita Federal também detectou indícios de simulação de atividade rural e uma possível distribuição fictícia de lucros e dividendos, estratégias para justificar a movimentação financeira. Foram observados sinais de blindagem patrimonial e a utilização de interpostas pessoas para dificultar o rastreamento dos bens.

Em nota oficial, a Receita Federal ressaltou que a Operação Rota do Fim "reforça o compromisso institucional do órgão no combate a organizações criminosas que usam setores formais da economia para ocultar atividades ilegais, além da atuação conjunta com órgãos de investigação contra crimes fiscais e lavagem de capitais." O órgão destaca a importância da colaboração interinstitucional para desmantelar esquemas que corroem a economia formal.

Escrito por Redação Leia Política