Brasília

PM desocupa reitoria da USP e DCE denuncia detenção de 4 estudantes

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) Livre da USP denunciou que a Polícia Militar realizou uma operação de desocupação da reitoria na madrugada deste domingo (10.mai.2026), resultando na detenção de 4 estudantes e uso de força. A entidade criticou a gestão da universidade por optar pela repressão em vez do diálogo e questionou a legalidade da ação, alegando falta de decisão judicial.

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PM desocupa reitoria da USP e DCE denuncia detenção de 4 estudantes
Foto: Reprodução / Leia Política

SÃO PAULO, SP - O Diretório Central dos Estudantes (DCE) Livre da Universidade de São Paulo (USP) declarou neste domingo (10.mai.2026) que a Polícia Militar realizou uma operação de desocupação da reitoria da universidade durante a madrugada, resultando na detenção de quatro estudantes. Segundo a entidade estudantil, a ação teria começado por volta das 4h15 e envolvido o uso de bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes contra os manifestantes que ocupavam o prédio desde a última quinta-feira (7.mai.2026).

Em nota, o DCE afirmou que “dezenas de policiais militares invadiram a ocupação” e acusou a gestão do reitor da USP, Aluísio Segurado, e do chefe de gabinete, Edmilson Dias de Freitas, de optar “pela força e pela violência da Polícia Militar” em vez do diálogo com os estudantes.

Contexto da Ocupação

A ocupação da reitoria teve início após estudantes cobrarem a retomada de negociações sobre políticas de permanência estudantil, como moradia e alimentação. Nos últimos dias, institutos e diretorias da universidade divulgaram notas criticando o movimento e declarando apoio à reitoria.

De acordo com o DCE, a operação deixou estudantes feridos e resultou na destruição de materiais e pertences pessoais. A entidade também declarou que policiais teriam vasculhado mochilas e barracas sem acompanhamento de perícia.

Questionamentos sobre a Legalidade e Transparência

O diretório estudantil questionou a legalidade da operação, afirmando que não havia decisão judicial de reintegração de posse autorizando a desocupação. A entidade ressaltou ainda que a ocupação já durava mais de 60 horas e que não havia registros de violência ou ameaça durante o ato.

Em sua nota, o DCE questionou: “Por que a polícia militar esperou a madrugada, enquanto estudantes dormiam, para realizar a operação? Por que não houve mediação? Por que agora? Por que os estudantes foram detidos e não há transparência?”.

O grupo também associou a ação à política de segurança pública do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Segundo os estudantes, a atuação policial representou “um dos episódios mais violentos da história recente” da universidade.

Detalhes da Nota do DCE Livre da USP

Na íntegra da nota, o DCE detalha que a ação policial na madrugada deste domingo teve como resultado “dezenas de estudantes feridos através de bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes, da formação de um corredor polonês para espancamento e quatro estudantes detidos”.

A entidade reitera que a ação, de responsabilidade do reitor Aluísio Segurado e de seu chefe de gabinete Edmilson Dias de Freitas, “deve ser profundamente repudiada por toda a comunidade universitária”. A nota aponta que a Reitoria “escolheu relembrar esses períodos da pior forma possível, recusando o diálogo e optando pela força e pela violência da Polícia Militar”, ignorando as reivindicações estudantis “em pleno Dia das Mães”.

O DCE sublinha a ilegalidade da ação, que ocorreu sem determinação judicial e fora do horário permitido (entre 21h e 5h), prática considerada ilegal pelos tribunais. A motivação de “flagrante de esbulho” foi descrita como espúria, pois o procedimento correto seria uma ação judicial, que não ocorreu.

A nota também destaca que a ocupação não apresentava “qualquer sinal de violência ou grave ameaça” e que não há informações claras sobre a motivação real para a detenção dos quatro estudantes ou sobre as condutas que lhes foram imputadas. Ademais, o DCE denunciou que policiais vasculharam “itens pessoais, mochilas e barracas sem a presença de agente de perícia ou qualquer acompanhamento”.

Finalizando as indagações, o DCE questiona: “Por que objetos pessoais estão sendo vasculhados de forma arbitrária?”. A entidade conclui que “Aluísio e Edmílson aliaram-se à truculência policial de Tarcísio de Freitas, e à ilegalidade, trazendo à tona uma marca assombrosa de repressão e intransigência”.

O DCE Livre da USP, fundado na luta contra a ditadura militar e completando 50 anos, questiona se a violência da Polícia Militar contra estudantes não seria uma violência maior ao “patrimônio da universidade” do que a própria ocupação, e se as diretorias e docentes da USP serão coniventes com a Reitoria. Os estudantes exigem saber dos responsáveis: “Por que escolheram ameaçar a integridade física e emocional dos estudantes? Por que escolheram ignorar as reivindicações dos estudantes pelo básico, como comida decente e moradia digna? O que vão dizer para as mães das centenas de estudantes que vão precisar consolar seus filhos hoje após essa ação truculenta?”.

A entidade conclui reafirmando sua posição, declarando que “A atual Reitoria da USP envergonha nossa história e toda a comunidade acadêmica.”

Escrito por Redação Leia Política