Economia

Presidente do Banco Central e BRB discutem reestruturação em meio à crise do Banco Master

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reuniu-se com o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, para discutir a reestruturação do Banco de Brasília. O BRB busca um pacote de socorro de R$ 6,6 bilhões após perdas com o Banco Master, mas enfrenta entraves. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, criticou as operações que comprometeram o patrimônio do BRB.

Compartilhe
Ouvir AnáliseNarrado por IA
Presidente do Banco Central e BRB discutem reestruturação em meio à crise do Banco Master
Foto: Reprodução / Leia Política

BRASÍLIA, DF - O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, recebeu nesta segunda-feira (27.jul.2026) o presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, para discutir o processo de reestruturação da instituição. A reunião, que ocorreu a portas fechadas das 15h30 às 16h30, teve como pauta "assuntos institucionais", conforme a agenda oficial de Galípolo.

Além dos presidentes, participaram do encontro o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos, e a diretora de Controle e Riscos do BRB, Ana Paula Teixeira de Sousa. A presença da diretora de Controle e Riscos ressalta o momento delicado do BRB, que aguarda a conclusão das etapas para viabilizar um pacote de socorro financeiro.

Pacote de Socorro e Obstáculos.

O BRB busca um resgate de R$ 6,6 bilhões para cobrir perdas atribuídas a operações com o Banco Master. No fim de junho, o Governo do Distrito Federal (GDF), controlador do BRB, firmou um acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para essa finalidade, comprometendo-se também a aportar R$ 2,2 bilhões em recursos próprios.

Contudo, a liberação do montante depende da assinatura dos contratos com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), da formalização das contragarantias à União e da conclusão das auditorias financeiras do banco. As negociações enfrentam obstáculos, com bancos privados envolvidos na operação buscando garantias da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, o que faria as instituições públicas assumirem o risco de eventual inadimplência do BRB.

Dificuldades de Liquidez e Balanço.

Além da demora na liberação do empréstimo, o BRB enfrenta dificuldades para melhorar sua liquidez. Em 17 de julho, o banco cancelou um acordo de R$ 15 bilhões com a gestora Quadra Capital, que previa a transferência de ativos ligados ao Banco Master e o pagamento parcial à vista, uma medida que permitiria ao BRB trocar ativos de baixa liquidez por ativos líquidos.

Outro fator que mantém o processo em espera é a ausência da divulgação das demonstrações financeiras do BRB referentes ao exercício de 2025. A publicação do balanço é uma das exigências para a efetivação do pacote de socorro e a conclusão das auditorias independentes. Enquanto o balanço não é divulgado, o BRB está sujeito a sanções do Banco Central, como multas.

Repercussões e Declarações.

Esta não foi a primeira reunião entre o Governo do Distrito Federal e a direção do Banco Central; em 14 de julho, a governadora do DF, Celina Leão, teve um encontro com Gabriel Galípolo e Nelson Antônio de Souza, classificando a reunião como "técnica" sem comentar o conteúdo.

Nesta segunda-feira (27.jul), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, em entrevista à Rádio Jornal de Pernambuco, afirmou que o patrimônio do BRB foi comprometido por operações envolvendo ativos do Banco Master. Segundo o ministro, o BRB adquiriu "carteiras de baixa qualidade" que resultaram em perdas bilionárias, descrevendo que o banco "basicamente passou R$ 12 bilhões para o Master e recebeu guardanapo, papel que não valia nada" em referência ao valor dos ativos recebidos.

Escrito por Redação Leia Política